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USO INADEQUADO DO SOLO AUMENTA AS EMISSÕES DE CO2

17 out

Preparo do solo inadequado na reforma do canavial pode aumentar as emissões de CO2


Câmara utilizada na avaliação do fluxo de CO2
Crédito: Divulgação


Visual da área após subsolagem realizada no sistema de preparo mínimo
Crédito: Divulgação


Trator com destruidor mecânico de soqueira utilizado no preparo semireduzido
Crédito: Divulgação


ESALQ
O Brasil é considerado o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo e, conseqüentemente o principal exportador de etanol. Os resíduos fibrosos da cana-de-açúcar como os topos, as folhas e a palha contêm mais de 50% de energia produzida fotossinteticamente e armazenada em fibras celulósicas na biomassa. Apesar do bagaço ser a matéria prima principal, esses resíduos podem ser incluídos em sistemas de cogeração para o setor sucro-alcooleiro. Diante dessa afirmação, há um crescente interesse para a utilização desses resíduos para geração de energia.

No entanto, o impacto ao ambiente para originar o biocombustível pode ser reduzido quando considerados os valores de emissão de gases do efeito estufa (GEE) resultantes das diferentes etapas do seu ciclo produtivo, principalmente aquelas derivadas da fase agrícola. A aplicação de fertilizantes nitrogenados, irrigação com vinhaça, uso da torta de filtro como adubo e o preparo do solo no processo de reforma do canavial podem alterar a dinâmica da matéria orgânica do solo, contribuindo com a emissão de óxido nitroso, metano e dióxido de carbono para a atmosfera, intensificando o fenômeno de efeito estufa.

Como valioso compartimento, o solo desempenha importante papel nos processos de mitigação das emissões de GEE. Assim, uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, pela engenheira agroecóloga formada pela Universidad de la Amazônia (Colombia), Adriana Silva-Olaya, avaliou o efeito do preparo do solo sobre as emissões de CO2 quando este é realizado na presença ou ausência de palha na superfície do solo, considerando o crescente interesse da utilização da palhada com fins energéticos.
“Uma pequena variação no C acumulado poderia resultar em mudanças consideráveis na concentração atmosférica de CO2. Atualmente, 50% da área total de cana-de-açúcar é colhida mecanicamente, prática que além de evitar emissões decorrentes da queima da biomassa vegetal, favorece o incremento no estoque de C do solo”, relata a autora do trabalho “Emissões de dióxido de carbono após diferentes sistemas de preparo do solo na cultura da cana-de-açúcar”.
A dissertação de mestrado realizada pelo programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas, sob orientação do professor Carlos Clemente Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (USP/CENA), aponta que o cultivo do solo por tecnologia de aração e outros processos de preparo incrementa a mineralização do carbono orgânico do solo (COS) e as emissões de CO2. O acúmulo de COS pode ser diminuído durante a reforma do canavial dependendo do sistema de preparo utilizado. A decomposição da matéria orgânica do solo é aumentada pela perturbação física causada pelo preparo, a qual provoca a quebra dos macroagregados e expõe o carbono protegido no interior deles à atividade microbiana. “Diante dessa situação, esse estudo se propôs quantificar as emissões de CO2 derivadas de três sistemas de preparo do solo utilizados durante a reforma dos canaviais no estado de São Paulo, assim como avaliar a influência da palha nesses processos de emissão”, explica a pesquisadora.
Foram avaliados o preparo convencional, o qual envolveu a realização de gradagens aradoras em combinação com subsolagem; preparo mínimo, que caracterizou-se pela eliminação química da soqueira seguida duma subsolagem; e preparo semireduzido, no qual a soqueira foi eliminada mecanicamente (destruidor mecânico de soqueira) e realizadas operações de subsolagem no sentido da linha de plantio.
A emissão de CO2 foi monitorada utilizando-se uma câmera que coleta e analisa o fluxo de CO2 em tempo real. Essas avaliações foram realizadas um dia antes do preparo do solo e imediatamente após a passagem dos implementos.
A pesquisadora destacou que no sistema de preparo convencional a emissão acumulada no tempo de estudo esteve 34% e 39% acima do valor acima do valor encontrado no preparo semireduzido e preparo mínimo, respectivamente, resultados esses que indicam o efeito conjunto da palha e do preparo do solo sobre a emissão de CO2.
Essas e demais avaliações feitas nos três sistemas de preparo do solo – convencional, mínimo e semireduzido – demonstram que é de grande importância a seleção de práticas de manejo sustentáveis que permitam aumentar o seqüestro de carbono, melhorar a qualidade do solo e ajudar a minimizar a emissão de CO2 dos solos agrícolas.
No Brasil, 60% da área plantada com cana encontra-se sobre Latossolo, mesmo tipo de solo da pesquisa. Cerca de 15 a 20% desses canaviais são renovados anualmente (0,7 a 0,9 milhões de hectares) o que permite que as perdas do C no solo sejam promovidas em função do sistema de preparo adotado durante tal reforma. Se aplicado o sistema convencional, será causada uma perda anual aproximada de 660 a 850 mil toneladas de carbono na forma de CO2. Porém, se o preparo do solo for realizado sob as técnicas associadas ao preparo semireduzido e preparo mínimo, o valor da perda anual de carbono à atmosfera na forma de CO2 será entre 90-120 mil toneladas no preparo semireduzido e 10 mil toneladas no preparo mínimo.
“A seleção de práticas de manejo sustentáveis que permitam aumentar o sequestro de carbono, melhorar a qualidade do solo e ajudar a minimizar a emissão de CO2 dos solos agrícolas, contribui para a redução do valor da pegada de carbono do etanol (footprint), aumentando consequentemente o benefício ambiental da substituição do combustível fóssil com este biocombustível”, finaliza Adriana.

Texto: Alicia Nascimento Aguiar

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Publicado por em outubro 17, 2010 em Uncategorized

 

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