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POR QUE O SÃO PAULO DANÇOU?

19 abr
Veja aqui tudo o que nossa
pobre crônica esportiva
tenta esconder de você, por
puro ‘desconhecimento’:
Santos ganhou do Tricolor
porque é melhor que o Barça
Botafogo ganhou do Flamengo
porque tem time inteligente
Coxa ganhou e tem 12 estaduais
a mais que o Atlético-PR
Ordem: Dunga tem de chamar Neymar, Ganso e Gaúcho
E Felipe Massa está perdido desde que começou o Mundial
E mais críticas antecipadas ao Linha de Passe


Muita coisa nossa crônica esportiva — a que chamo de Geni-Press, dada sua fragilidade e seu despreparo — vai esconder de você este ano. Leia este comentário, abaixo, e veja o quanto a mídia vai sonegar a você só sobre os eventos do fim de semana. Algumas verdades essenciais você só vai encontrar aqui comigo, não porque eu seja o bom do pedaço, mas porque são raros os jornalistas autênticos que restaram na mídia. E ela não tem culpa.

 O esporte, principalmente o futebol, virou grande negócio, preciosa mercadoria, e isto vem acabando com o verdadeiro jornalista. O próprio capital se incumbiu de deixar nossa crônica esportiva frouxa e de bico calado. O jornalista não pode falar mais. Os que não tinham papas na língua foram quase todos banidos. Os poucos que restaram, como Juca Kfouri, são como vozes vindas do além que não ecoam mais. Veja a seguir tudo o que aconteceu no esporte no fim de semana e que a mídia não vai contar.


Santos 3, São Paulo 0
Quando o técnico Ricardo Gomes chamou Washington, aos dez minutos do segundo tempo, eu disse (via pela televisão): “Agora, o São Paulo toma de três.” E não deu outra. Sou um gênio, uma pitonisa de primeira, por acaso? Não. Apenas estou entre aqueles jornalistas que enxergam o óbvio e que a mídia esportiva não tem mais, pelas razões que já expliquei aqui.
O que vi nossa mídia comentar ontem, sobre o clássico, é de arrepiar, para não dizer vergonhoso. Assisti ao jogo zapeando entre a Band de Neto e a Globo de Casagrande. Neto passou todo o primeiro tempo dizendo que, precisando o São Paulo fazer gols, Washington não poderia ter ficado no banco. Casagrande fazia coro (ou Neto fazia coro a ele, não sei) e dizia o mesmo.
Evidentemente, essa pressão chegou logo ao ouvido de Ricardo Gomes, que, para não ser chamado de burro pela torcida, meteu Washington no time, quando estava 0 a 0. Sinopse da jornada: mais um Sansão em que os são-paulinos tiveram, de noooooovo, os cabelos cortados, barba feita também, pelos bailarinos da Vila.


COMO É POSSÍVEL ISSO? COMO É POSSÍVEL TAMANHA MEDIOCRIDADE E INCOMPETÊNCIA? COMO É POSSÍVEL NINGUÉM, NA NOSSA CRÔNICA ESPORTIVA, TER PERCEBIDO QUE, SE TIVESSE JOGADO COM WASHINGTON DESDE O COMEÇO, O SANTOS TERIA POSTO 3 A 0 JÁ NO PRIMEIRO TEMPO, ALÉM DOS OUTROS 3 A 0 ENFIADOS NO SEGUNDO??? NÃO É MUITA CEGUEIRA??? ATENÇÃO, MÍDIA: É MUITO BURRO NÃO PERCEBER QUE ‘GOLEADOR-MATADOR-ENFIADO’ É SEMPRE “UM A MENOS” NA HORA DE EMPURRAR O TIME PARA UMA VITÓRIA OU PARA EVITAR UMA DERROTA!!!
Mas o que o São Paulo deveria ter feito, então? Ricardo Gomes podia ter feito tudo, menos colocado Washington no segundo tempo e, ainda por cima, ter tirado Fernandinho logo em seguida. O time ia muito bem, até aquele momento, apesar de Neto e Casagrande, cegos, acharem que não.
O correto teria sido Ricardo Gomes fortalecer o meio-campo com pelo menos dois jogadores mais velozes (não tinha Marlos, eu sei, e não sei se podia contar com outros jogadores para tanto). Além disso, teria de deixar Fernandinho mais solto para, com sua velocidade e habilidade, finalizar mais do que os demais, jamais tirá-lo do time.
Feitas tais mudanças, o técnico deveria ter pedido ao time para apressar no toque de bola, imitando a molecada do Santos (e Hernanes e Jorge Wagner são um pouco lentos para esta função). Esta era a única saída que tinha o técnico, naquele momento. Ao contrário, optou por ceder a pressões como as de Neto e Casagrande (na verdade, de toda a nação são-paulina), e ainda por cima tirou Fernandinho do time. Ufa! É um mar de insensatez que começa na mídia, passa pelos clubes e não termina mais.


A verdade é que o São Paulo, faça a mágica que quiser, não tem time para ganhar dessa molecada do Santos. Só ganharia a semifinal, como eu disse em outro comentário, se tivesse entrado em campo sempre sem Washington, orientado para imitar o Santos e tocar rapidamente a bola, e ainda por cima com “ordens” para irritar a molecada santista desde o começo, na base da catimba. Só assim, o São Paulo poderia ter vencido.


O Santos é o melhor time do mundo, no momento, mas não é imbatível. Deem-me um time razoavelmente habilidoso (pode ser o atual São Paulo) e eu ganho do Peixe. Desse jeito que descrevi acima. E técnico nenhum, no Brasil, tem competência e peito para armar uma coisa dessas. Seria malhado por toda mídia, condenado por anti-jogo.


Se quisesse mesmo ganhar a semifinal, o São Paulo deveria ter feito muitas outras coisas que não fez, antes e depois dos dois clássicos. A principal delas seria não ter jogado com o Washington já no Morumbi. Naquele jogo, Washington foi sacado do time quando o São Paulo perdia de 2 a 0. Sem o jogador, o time reagiu e, mesmo jogando com um a menos, empatou (2 a 2), para perder de 3 a 2 no final, numa bola parada. Não sei se o Tricolor teria ganhado aquele jogo sem Washington, mas com certeza teria jogado melhor e não sofrido desfalques bestas como a expulsão de Marlos.


A verdade é que o Santos ganhou do São Paulo porque é, hoje, o melhor time do mundo, melhor que o Barcelona, melhor até que uma seleção do Barça com o Real Madri. Mas é o melhor não porque conta com jovens craques, mas sim porque é o que pratica, no momento, o futebol mais moderno do Planeta: é um time jovem (portanto, com fôlego de gato), toca a bola com uma rapidez impressionante, é muito habilidoso e, SOBRETUDO, não tem nenhum especialista exercendo uma única função em campo (à exceção do goleiro Felipe), e em que até seu centroavante, André, é forte na armação e marcação. É assim que todos os times do mundo deveriam jogar, principalmente a SELEÇÃO BRASILEIRA.


Os principais gargalos de nosso futebol a caminho da falência


Washington simboliza e representa um dos dois maiores gargalos do nosso futebol. O futebol moderno não comporta mais jogador como ele — o especialista que exerce uma só função e que não ajuda direito seu time EM MAIS NADA. O jogador não tem do que reclamar. Tem de ter autocrítica suficiente para entender que não cabe mais no futebol moderno, ponto, parágrafo.
Outro gargalo do nosso futebol, mais sério a meu ver, é o dos bastidores: por conta de ter-se tornado um grande negócio em todo o mundo, o futebol no Brasil foi também atacado pelos tubarões, sob o atual comando da CBF, e está indo igualmente à falência. Só uns poucos na mídia, como Juca Kfouri, ainda gritam contra e denunciam, mas parecem mais vozes vindas do além sem impacto nenhum na objetividade.


O mais lamentável é que não só jogadores, técnicos, dirigentes e nossa mídia esportiva não perceberam isto ainda, mas também os melhores de nossa crônica esportiva, como Juca Kfouri, Tostão, Sócrates, José Trajano, entre tantos outros.
Resumo da ópera bufa: nosso futebol, que tem os melhores jogadores do mundo (produz um Neymar a cada três anos), não sabe armar um time com inteligência (veja a Seleção de Dunga) e caminha a passos largos para a falência, sob o olhar “cego” e passivo de nossa já falida crônica esportiva.
Botafogo ganhou do Flamengo porque tem time inteligente
O mesmo raciocínio de que me valho na nota acima sobre Santos vs. São Paulo pode ser aplicado aqui, na grande conquista do meu querido Botafogo, por quem torço tão apaixonadamente quanto pelo Corinthians e pelo Coxa (fora do eixo Rio-São Paulo, os de minha geração torcem por três clubes, um local, outro da antiga capital do País, o Rio, e mais um de São Paulo — assim, sou Coxa, Fogão e Timão).
O Fogão conquistou o título não porque esta é a sina de Joel Santana, mas porque tem hoje (graças, evidentemente, a Joel Santana, é inegável), o time mais inteligente do Rio, sem jogadores exercendo uma única função em campo. Principalmente no ataque, que conta com o argentino “faz-tudo” Herrera, de quem o meu Corinthians tem saudades até hoje, e com o uruguaio também “faz-tudo” Loco Abreu.
E o Flamengo decaiu por três motivos: não percebeu, ainda, que é MUITO BURRO jogar com dois centroavantes (Adriano e Vágner Love), pelos motivos já amplamente expostos aqui; porque seus principais jogadores, comprometidos com a Seleção (como Adriano e Kléberson), tiraram o pé, esperando a Copa, e não vão jogar mais até lá; e ainda porque, na sua mediocridade, toda a diretoria do Flamengo, incluindo o técnico Andrade, humilhou e fritou Petkovic, apagando seu futebol justo nesta hora decisiva.
Ordem: Dunga tem de chamar Neymar, Ganso e Gaúcho
Dunga não pode deixar de chamar Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho. Como não é um técnico no sentido clássico do termo, acabará não chamando, e não pode se queixar se, depois, vier a ser chamado de burro, por decepcionar no Mundial da África.
Técnico que é técnico, quando chamado pela CBF, já tem de ter a Seleção pronta na cabeça. Dunga está há quatro anos na Seleção e ainda não tem o time titular definido. Por desconhecer alguns dos principais fundamentos do futebol moderno, como este de que não se joga mais com especialistas exercendo uma só função, foi experimentando, experimentando, experimentando, sempre no chute, até que conseguiu armar um time minimamente razoável. E aí deu o grupo por fechado, e agora corre o risco de ser chamado de burro se não convocar, pelo menos, Neymar, Ganso nem Gaúcho.
Coxa ganhou e tem 12 estaduais a mais que o Atlético-PR
É lamentável o que faz a mídia do eixo Rio-São Paulo quando se trata de cobrir jogos e decisões de outros centros. Como o futebol virou um grande negócio e um grande comércio, não convém irritar as torcidas rivais, porque todas elas dão Ibope. Se você agrada a gregos e troianos, mantém a audiência. Se conta a verdade, ou seja, se agrada a gregos e desagrada a troianos, aí a audiência cai.


Assim é que nenhum ousa dizer, por exemplo, que o Internacional é melhor, em títulos e conquistas, que o Grêmio. Foi o que aconteceu na conquista, pelo Coritiba (Coxa), de seu 34º título paranaense. Os veículos do Eixo, de uma maneira geral, disseram que foi o 34º título do Coxa, mas nenhum fez alusão ao fato de que o arquirrival Atlético-PR (Furacão) continua com apenas 22, doze a menos, e que, em termos de títulos e conquistas, o Coxa prossegue sendo o melhor do Paraná.
E Felipe Massa está fora do páreo desde o começo do Mundial
Não foi surpresa para mim o chega para lá dado por Fernando Alonso em Felipe Massa, no GP da China. Venho dizendo há anos que a Fórmula 1 é uma farsa, que é o número um quem põe mais dinheiro na equipe, que ganha título sempre aquele entre os que a categoria elege para conquistar, que brasileiro não ganha tão cedo um Mundial e que Felipe Massa já é figura fora do páreo desde que Alonso entrou na equipe.
O ‘quicão’ que Massa tomou no domingo foi apenas mais um dos que vai tomar ao longo da temporada. Arrisco dizer que não renova com a Ferrari. Ou que, se renovar, vai ser de novo fazendo concessões. E não há o que fazer aqui. Alonso não é o queridinho da equipe porque tem belos olhos, mas porque toda a Espanha está botando dinheiro na equipe e uma enorme fé no piloto. Massa, ao contrário, quem está ajudando? Você sabe? Ouvi um zunzum de que até a Globo ajudou, mas não confirmei. Se você sabe, me conte. Na mídia, nunca consigo encontrar este tipo de informação.


Ainda tem dúvida de que a Fórmula 1 é hoje uma farsa? Veja o que está acontecendo na McLaren. Lewis Hamilton é, sem sombra de dúvida, mais rápido e melhor piloto do que Jenson Button, como o era também Rubinho Barrichello. Os dois provaram isto nas pistas. Mas “quis o destino” que todas as graças se voltassem para o loiro Jenson Button, que certamente põe muito mais dinheiro na equipe do que Hamilton e vai terminar a temporada na frente de seu colega de equipe, Hamilton, A NÃO SER QUE ESTE TENHA MUITA SORTE E POSSA SE VALER DE QUEBRAS E ABANDONOS DE BUTTON.
Quanto à mídia especializada em Fórmula 1, piorou. Continua não informando nada. E, pior, agora reduziu consideravelmente o espaço que dedica à Fórmula Indy, que tem mais brasileiros que a Fórmula 1 e com muito mais chances concretas de título. Já estou com saudades de Antero Greco, que deixou a editoria do Caderno de Esportes, para dar lugar, se não me engano, a Eduardo Maluf. Hoje, segunda, o Caderno dedica apenas umas vinte linhas à Indy, em pé de página, e dá uma página inteira à F-1. Por que será? Teria o Estadão feito alguma parceria com a Globo? Não estou sabendo.



Mais críticas ao Linha de Passe


Escrevi estas notas acima antes de assistir ao Linha de Passe de hoje (21h, no ESPN), para mim o melhor programa do gênero da televisão brasileira (não perco um). E antecipo aqui minha crítica: tenho certeza que ninguém, no programa, irá levantar nenhum desses aspectos essenciais aqui apontados, sobre os eventos de domingo. Só tenho a lamentar.


Tom  Capri.
 
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Publicado por em abril 19, 2010 em Uncategorized

 

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