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O NAZI-FASCISMO DE MAURO CHAVES

27 abr
Em Mauro Chaves, um ‘revival’ em alto estilo do nazi-fascismo no Brasil
Não sei se porque acordou de bom-humor, o jornalista e pintor Mauro Chaves, que escreve para o Estadão, resolveu de repente fazer um artigo inteligente. É o que ele menos sabe fazer, mas o resultado surpreendeu: não só o artigo é mesmo inteligente, como o mais nazi-fascista que a mídia brasileira já publicou nos últimos 30 anos. Existe na mídia algo mais criminoso que texto nazi-fascista inteligente?

Mauro Chaves prova que não. Seu leitor médio não pensa. É aquele retrógrado que compõe a maioria dos leitores do Estadão. Por ser tão despreparado quanto eles, Mauro Chaves nem precisa escrever artigo inteligente. Mas desta vez surpreendeu com o seu A Propaganda Subliminar, para o Espaço Aberto, Estadão de 24/4/2010, página A2. O texto inaugura um revival do nazi-fascismo no Brasil, em alto estilo.
No texto, Mauro Chaves pede inicialmente à sociedade para que se cerque de todos os cuidados com a propaganda subliminar, essa tão utilizada pelo nazismo e pelo fascismo e que nos é impingida especialmente nos períodos eleitorais. Logo em seguida, vai enumerando exemplos de propagandas subliminares, todas contendo, inteligentemente, ideias que ele, Mauro Chaves, sempre defendeu, lembrando que é exatamente desse tipo de prática que a sociedade brasileira precisa se defender.
Ou seja, a pretexto de criticar a prática da propaganda subliminar, por achá-la “esconsa” e “traiçoeira” e que ele reconhece ter sido tão cara ao nazi-fascismo, Mauro Chaves vai desfilando seu rosário particular de propagandas subliminares. Aproveita a oportunidade para vomitar todas as que estavam entaladas em sua garganta, inclusive a de apoio ao seu candidato à presidência, como se tivesse esperado ansiosamente por uma ocasião propícia para se fazer ouvir e só dessa maneira a tivesse encontrado.
Ciente de que jornalista não deve fazer campanha política, Mauro Chaves vinha se valendo, até aqui, do clichê já desgastado de apontar erros e tropeços daqueles políticos aos quais faz oposição (erros e tropeços na opinião dele, evidentemente). E assim nunca deixou de fazer campanha política barata. Como seus artigos não ecoam nem formam opinião — são lidos pelos mais retrógrados, a maioria dos leitores do Estadão —, sentiu o jornalista a necessidade de fazer algo inteligente. E assim surgiu esse texto.
Mauro Chaves tira proveito, nele, da propaganda subliminar que tanto combate para mostrar, também subliminarmente, tudo o que acredita ser correto, do tipo “veja, é a este tipo de prática que você precisa resistir por ser traiçoeira porque não passa de subliminar”, como ele mesmo diz. E o leitor mais desavisado vai, então, engolindo subliminarmente as ideias defendidas por Mauro Chaves, deixando-se levar por esta que sempre foi a prática mais insidiosa do nazi-fascismo: a mensagem subliminar.
Não é inteligente? Sim, mas também perverso. Quer algo mais sórdido do que, a pretexto de condenar a propaganda subliminar, você mostrar, igualmente de forma subliminar, tudo o que defende, inclusive fazer campanha para o seu candidato? É criminoso o jornalista que faz campanha política, ou melhor, que faz sua lavagem cerebral particular, seja ela subliminar ou não, mesmo que se valendo de exemplos de prática que, no seu entender, é imoral e deve ser combatida.
Mas não é isso o que coloca Mauro Chaves no índex, como nazi-fascista. À medida que vai dando exemplos de mensagens subliminares, o jornalista vai deixando claro — ali, no sub-reptício, sem colocar nada explicitamente — que no fundo a propaganda subliminar também é válida e até lícita. Desde que transmita mensagem saudável e correta, ou melhor, conteúdos que Mauro Chaves, e não outro, considera saudáveis e corretos. E quem garante que Mauro Chaves tem a última palavra na avaliação precisa do que é mensagem saudável e correta?

Mauro Chaves mesmo se incumbe de nos mostrar, no final de seu texto, que todos os exemplos de propaganda subliminar que enumerou no artigo contêm mensagens válidas porque corretas. E é aqui que aflora, com todas as cores, seu nazi-fascismo. O que é correto para Hitler pode não ser correto para a ciência nem para ninguém. Da mesma forma, o que é correto para Mauro Chaves pode não ser correto para a ciência nem para ninguém.

Com ironia fina e apenas insinuações, tentando não se comprometer, Mauro Chaves defende, por exemplo, a Rede Globo, no clipe que ela desenvolveu para comemorar seus 45 anos e pelo qual foi acusada de fazer campanha em prol de José Serra (o número 45 é também do PSDB, o partido de Serra).

Entende o articulista — não diretamente, mas por meio de insinuações — que, se não foi coincidência aquilo tudo por parte da Globo, de qualquer forma a emissora estava certa ao associar, mesmo que subliminarmente, seus 45 anos de sucesso a coisas boas e a idéias saudáveis e corretas como a do candidato à presidência “mais capacitado e com melhores antecedentes”, evidentemente José Serra.

Fica claro que, no entender de Mauro Chaves, quando a propaganda subliminar embute mensagem saudável e correta, como essa da Globo (saudável e correta para ele, é óbvio), é válido e lícito também que ela, a mensagem, seja associada a tudo o que é correto, ao melhor, às vitórias e conquistas alcançadas por competência e mérito (a tal da meritocracia). Mas o que é “o melhor” para Mauro Chaves? É o candidato que tem melhores antecedentes (o do partido de número 45), o time de futebol da hora, o Santos, e tudo o que o jornalista entende reunir méritos para chegar ao sucesso.

Para Mauro Chaves, preciso repetir, parece não haver mal nenhum em a Globo associar seus gloriosos 45 anos de sucesso à imagem do candidato à presidência com melhores antecedentes (no caso, José Serra) ou ao time de futebol que está bombando no momento (no caso, o Santos). Pelo contrário, no entender do jornalista, ao rejeitar e proibir propagandas subliminares desse tipo, a sociedade brasileira está apenas resistindo ao “restabelecimento do mérito e da decência no País”.
Mauro Chaves pode ter razão em não ver mal nenhum nesse tipo de prática. Mas há um porém aí que incomoda. Quem vai decidir qual o conteúdo saudável, correto e que reúne todos os méritos para poder ser utilizado em uma mensagem subliminar válida e lícita? Mauro Chaves? Seus familiares?

No nazi-fascismo, eram Hitler e Mussolini que determinavam, por meio de seus interlocutores, o que era saudável e correto para ser divulgado subliminarmente como válido e lícito. Mortos milhões de seres humanos na Segunda Grande Guerra e no Holocausto, verificou-se depois que Hitler e Mussolini não eram os mais indicados para determinar qual é o conteúdo saudável, correto e que reúne todos os méritos para ser objeto de propaganda subliminar válida e lícita.

Também fica claro, no texto de Mauro Chaves, ao menos para o bom entendedor, que Dilma Rousseff não reúne os mesmos méritos porque não tem melhores antecedentes que José Serra, uma vez que foi considerada terrorista com ficha criminal no passado, não importa que tenha sido submetida a torturas nos porões da ditadura, acusada de ter participado da luta armada. A Ditadura Militar no Brasil, Hitler e Stalin também tinham essa mesma impressão e faziam essa mesma avaliação daqueles seus opositores que empunhavam armas para combatê-los.

Com a mesma ironia fina presente em todo o seu artigo, Mauro Chaves encerra assim o seu texto: “Enfim, é preciso que a sociedade resista a essas tentativas esconsas, traiçoeiras (porque subliminares) de restabelecimento do mérito e da decência no País”.

Fiquei arrepiado quando li esse trecho final. Vamos então, com mensagens subliminares, restabelecer a meritocracia e a decência no País. Se não lhe agrada tomar por meritório e decente o que Mauro Chaves entende por meritório e decente, ache outro que o faça por você ou decida você mesmo o que é meritório e decente. Segundo Mauro Chaves e seu nazi-fascismo inteligente, é nessa direção que o Brasil deve caminhar.

Tom Capri.

 
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Publicado por em abril 27, 2010 em Uncategorized

 

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