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ELIMINAÇÃO DO CORINTIANS TEM SEU CHARME

09 maio
Nós, bando de loucos corintianos,
não estamos de luto. Sofrer é do
nosso destino, e esta morte já
estava mais do que anunciada.
Bola pra frente!!!
Aqui, todas as razões da eliminação
e as lições que é preciso tirar. Veja
também por que a mídia tem
muita culpa em tudo isso.
Sofrer é natural desse bando de loucos, corintianos como eu. A grandeza do Coringão está justamente nisso: somos os que mais sabem colher frutos do sofrimento. A Fiel surgiu naqueles 23 anos de fila, de 54 a 77, e esta eliminação pelo Flamengo, ontem, no Pacaembu, que nos deixa mais um ano na fila da Libertadores, só fará aumentar o número de torcedores, o amor e a fidelidade da nação corintiana. Bola pra frente.
Agora, é torcer para os arqui-rivais, como deve fazer todo corintiano autêntico: pelo Santos na Copa do Brasil, por estar jogando o melhor futebol do Planeta, e pelo São Paulo, que está fazendo por merecer, na Libertadores. Isto é sincero de minha parte. A nação corintiana, exemplo de fidelidade, deve dar mais esta lição às torcidas rivais, que ontem fizeram festa por causa da eliminação do Timão.
Tenho torcido muito pelo belo futebol do Santos e pela caminhada do São Paulo, já que o Palmeiras, como nós, está fora do páreo. É por isso que somos um bando de loucos. Além de estarmos fadados ao sofrimento, essa morte súbita, ontem, pelo Flamengo, estava mais do que anunciada, desde o ano passado, não foi surpresa. Vamos agora às razões (técnicas) da queda do Corinthians.
A principal delas é o fato de o Corinthians, desde o ano passado, ter passado a praticar um futebol burocrático, feio e burro, ao passo que o Flamengo, depois de uma queda abrupta, voltou, nesse primeiro mata-mata da Libertadores, a jogar aquele mesmo futebol inteligente que lhe garantiu o título do Brasileirão de 2009.
Isto sob as barbas da mídia esportiva, a famosa Geni-Press, que não sacou nada até agora. Pelo contrário, apoiou o desmanche do Timão e a vinda dos “reforços vovôs”, sobretudo depois que o time começou a dar certo com Ronaldo Fenômeno. E condenou a “limpeza” que a nova presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, fez, demitindo Andrade e apoiando o auxiliar-técnico Rogério Lourenço.
 O que resultou dessa geleia foi que o Corinthians, na atual temporada, voltou a apresentar um futebol previsível e burocrático, agravado pelo fato de estar hoje com um Ronaldo ainda por cima mais gordo e fora de forma (fuma e bebe e, por estar ciente de que não será mais chamado para a Copa, desmotivou-se, o que contribuiu para sua queda de produção). Já o Flamengo, em declínio desde a conquista do Brasileirão, voltou, sob a batuta de Patrícia e do interino Rogério, a apresentar aquele mesmo futebol inteligente, reforçado pelo trio de ferro Juan-Maldonado-Kléberson. Só falta a volta (acontecerá um dia?) de Petkovic para o time ficar tinindo outra vez.
A diretoria do Timão havia agido corretamente quando reforçou o elenco, trazendo Ronaldo Fenômeno, Roberto Carlos e outros para a atual temporada. Tenho certeza de que o Coringão ganhou muitos novos torcedores. Mas a diretoria errou feio ao se desfazer de jogadores taticamente essenciais como Douglas, Chris e André Santos (e outros mais lá atrás, como Herrera), pois isto acabou desmantelando aquele esquema afiado campeão da série “B”, do Paulistão e da Copa do Brasil.
 Em time que está ganhando, não se mexe, é lei-clichê do futebol. Imaginando que só estrelas garantiriam a Libertadores, a diretoria se desfez dos três (Douglas, por exemplo, está batendo um bolão no Grêmio), e nunca mais o Timão se refez.
 Tenho dito aqui, à exaustão (e ainda assim a cega Geni-Press não enxerga), que o futebol moderno exige jogador versátil e que “faz-tudo” em campo. Aquele que, completo, desarma, arma e finaliza, e com muito fôlego (isto é exigido até do goleiro, hoje em dia — vide Rogério Ceni no São Paulo). E não precisa ser necessariamente craque. O especialista, sobretudo aquele que exerce uma única função — como Ronaldo, ainda por cima mais ‘paradão’ e gordo do que nunca, ou Washington, do São Paulo — está obsoleto, é sempre “um a menos”, Ricardo Gomes está certo em sacá-lo do time.
Quer jogar com o Fenômeno? Então, arme um time inteligente, como aquele que Antônio Carlos ajudou a construir e ganhou a Série B, o Paulistão e a Copa do Brasil. Como o Fenômeno já “estava” ‘paradão’ quando se transferiu para o Corinthians, a saída foi armar aquele time em que todos — com fôlego de gato — desarmavam, armavam e finalizavam, para suprir as “deficiências” de marcação do ‘paradão’ Ronaldo. Dentinho e Jorge Henrique viraram “marcadores de frente”. André Santos, Douglas e Chris, ao lado dos demais, destruíam, armavam e finalizavam, e foram autores de gols decisivos. Era um carrossel quase imbatível, o suficiente para ganhar títulos.  
 Este era o segredo do Timão, que a diretoria e o técnico Mano Menezes jogaram pela janela, sob os aplausos da mídia esportiva. É muuuuito difícil e raro conseguir armar um time vitorioso como aquele, e a inexperiência da diretoria (e também de Mano) puseram tudo a perder. De lá para cá, o que vimos foi a derrocada corintiana. A mídia dizendo: “Calma, já, já o Corinthians vai acertar o passo, pois tem grande elenco, é time forte”. Sim, o elenco era forte, mas deixara de jogar de forma inteligente. O Timão só voltou a acertar o passo no primeiro tempo do jogo de ontem, mas já era tarde.
 E outros grandes erros foram cometidos em cima deste, que considero o maior. Mano poderia ter montado, mesmo com esse “forte elenco” cheio de reforços ainda que já desgastados e envelhecidos, um time tão inteligente quanto o de 2008 e 2009. Não soube fazê-lo. Há um ano apanha para encontrar a formação ideal, ele que a havia achado sob seu nariz, na fase áurea do Fenômeno no Corinthians.
Por que não soube fazê-lo? Por incompetência. Não percebeu que o Timão havia sido campeão, sob seu comando, por ter aquele time inteligentemente armado, o que leva a crer que Mano havia montado aquele time e aquele esquema meio sem querer, e que o técnico é mesmo um blefe, como eu disse há um mês. Afinal, mesmo que tenha montado aquele timaço sem querer, como não viu que funcionava e que precisava ser copiado e imitado, a partir dos novos reforços, para voltar a funcionar?
 Se tivesse jogado no domingo como no primeiro tempo de ontem, o Corinthians teria ganhado os dois jogos, com certeza. Por que Mano não percebeu isso antes, já no começo da temporada? Um dos segredos da Libertadores é não tomar gol na casa do adversário. E não tomar gol não é armar time medroso, recuado, como fez Mano no domingo e por pouco não perdeu de mais, o que teria eliminado o Timão já no primeiro jogo. A verdade é que Mano aiiiiiiiiinda não encontrou seu time titular.
 Além disso, o Timão, sob o comando de Mano, e por responsabilidade do técnico, não tem sabido jogar pelo regulamento. No Paulistão, andou atuando com o time “B” em jogos decisivos, o que não foi inteligente. E, na Libertadores, mesmo sabendo que poderia enfrentar de cara o Flamengo no primeiro mata-mata, não soube dar um jeito nisso. Ora, o Flamengo é o time de maior torcida do Brasil. Jogaria o primeiro jogo em sua mansão de campo com fachada para as montanhas, o velho Maracanã. E sempre cresce em decisões, ainda mais quando chove dilúvios. Mano não podia ter driblado isso? Inexperiência? Mas ele não é tão experiente em Libertadores?
Falemos agora do Flamengo, que eliminou o Coringão com todos os méritos, por ter voltado a jogar de forma inteligente. A conquista do Brasileirão de 2009 havia acontecido por uma única razão: o Flamengo era, naquele momento, o time mais inteligente do País. Contava com os quatro cavaleiros do calipso carioca — Juan, Maldonado, Kléberson e Petkovic, além de outros com qualidade técnica, do goleiro Bruno a Léo Moura — e jogava com um único centroavante, ainda que meio paradão, Adriano. Era uma poderosa máquina armada em função de Adriano, para deixá-lo livre e “enfiado”, só para finalizar e de vez em quando ajudar no primeiro combate.
 Só que, por razões que nem cabe aqui levantar, esse time também desmantelou-se, como aconteceu com o Corinthians. Maldonado, Kléberson e Petkovic foram afastados por contusão ou por razões que a própria razão desconhece, além do que o Flamengo passou a jogar com dois centroavantes, Adriano e Wagner Love, o que é burro em qualquer circunstância (como ficou provado no primeiro tempo de ontem, em que, por pouco, o Timão não fez 3 a 0, o que teria liquidado com o Flamengo).
Só que, no segundo tempo, a inteligência voltou a mandar no time da Gávea. Só faltou Petkovic para o Fla ficar com praticamente a mesma cara do time campeão de 2009. O interino Rogério colocou Kléberson em campo no segundo tempo, reforçou a defesa, tirou um centroavante para garantir o resultado (Wagner Love, autor do gol) e anulou o brilhante Corinthians do primeiro tempo. Se tivesse jogado com Petkovic, o Flamengo teria saído do Pacaembu com mais uma vitória, tenho certeza.
Agora, é sonhar com o Brasileirão, com o mesmo espírito com que sonhamos com o fim do Grande Tabu, até 1977. Se voltar a jogar com inteligência, o Timão poderá fazer bonito e se classificar para a Libertadores, mesmo com Mano Menezes no comando e Ronaldo ‘paradão’ lá na frente (mais sarado e comedido no fumo e na bebida, evidentemente).
 Tom Capri.

 
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Publicado por em maio 9, 2010 em Uncategorized

 

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