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PLANO VITAL PARA O FUTEBOL BRASILEIRO

21 maio

Vital Battaglia dispara o “Plano Vital”, nome que dei a seu ousado plano que promete salvar o pobre futebol brasileiro

É critica para todos os lados. Veja quais os destinos da Seleção e de clubes como Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeiras e Flamengo

São-paulino, detentor de prêmios Esso de jornalismo, Vital Battaglia, 67 anos, é o mais importante repórter de futebol que o Brasil já conheceu. Brilhou nos anos 70, 80 e 90 principalmente no Jornal da Tarde, irmão de O Estado de S. Paulo. Hoje um pouco distante do jornalismo, mas ainda atuante no esporte como escritor (está lançando livro sobre táticas do futebol), Vital sempre foi homem de ideias. No momento, o que mais deseja é salvar nosso futebol. Aqui, neste pingue-pongue – ele não queria dar entrevista, foi um custo –, o repórter mostra o que é preciso fazer, de mais urgente, para que o futebol brasileiro não sucumba de vez nem fique para trás e volte a ser o melhor do mundo. É imprescindível que as mudanças por ele propostas comecem a ser postas em prática já, antes da Copa da África. Acompanhe.  

Por que não pôr essas suas idéias, que reputo como importantes, no papel, num plano para abalar as estruturas e reerguer nosso futebol?

Não é má ideia.

Poderia se chamar “Plano Vital”.

Não acho o nome importante. Preocupa-me mais o conteúdo.

Então, passa a se chamar, desde já, “Plano Vital”. Seria visando à Copa da África ou você já está pensando em 2014?

Não há mais o que fazer com relação à Copa da África. Agora é pensar em 2014. Mas são medidas que precisam começar a ser implementadas com urgência. Dunga já definiu tudo. Armou um time que é cópia mal-acabada da Seleção campeã de 94, até porque agora nem mais com um Romário ele conta. Esqueceu-se de que aquela Seleção não ganhou nada em 94, as demais é que perderam, como a Itália, com aquele pênalti de Baggio. Vamos à África com esse futebol burocrático de resultados que aí está e que pode até conquistar o título novamente, porque milagres como o de 94 acontecem. Mas o time não inspira a menor confiança.

Vamos perder a Copa, pelo jeito?

Podemos até ganhar, como já ganhamos com time medíocre. Mas não dá para esquecer 94. Mesmo que o Brasil ganhe na África, não podemos deixar que essa mentalidade predomine, porque vai ser com certeza aquele vexame em 2014, aqui em casa. Há outros pontos que pesam contra Dunga. Notei, na recente convocação, por exemplo, que a média de idade da Seleção é de 28,6 anos. É a Seleção Brasileira mais velha já convocada em todos os tempos, mais até do que a de 62. Em nenhuma Copa, a seleção campeã teve média de idade assim tão avançada.

O jogador chega à sua plenitude aos 24 anos e mantém essa forma até no máximo 27, a partir do que começa sua decadência. Isto é estatístico. O jogador mais jovem da Seleção titular tem 26 anos (Robinho). E aí está a incoerência de Dunga. Ele fala em renovação, e eu pergunto: que tipo de renovação? Ele não chama Roberto Carlos porque tem 36 anos, mas leva o Gilberto de 34. Qual dos dois tem mais história na Seleção?

É por essas e outras que não acredito em Dunga e no que ele representa para o futebol brasileiro. Infelizmente, voltamos a viver a Era Dunga, que tem amaldiçoado o futebol brasileiro, não apenas em 90, nem com a conquista de 94. Na Copa de 98, Zidane fez dois gols de cabeça. E quem estava disputando a bola com ele? Dunga, é claro. É triste, mas é a realidade.

O que de mais urgente é preciso mudar no nosso futebol?

Começo pela necessidade de se resgatar o plano que Falcão e eu, na qualidade de assessor de imprensa dele, pusemos em prática quando ele foi técnico da Seleção Brasileira, nos anos de 1990. Hoje, se faz necessário, mais do que nunca, criar uma Seleção Brasileira só com jogadores que atuam no País. Essa é uma das mudanças mais importantes e urgentes. Precisamos ao menos experimentar, e tenho certeza de que daria certo.

Em 1958, Feola convocou o grande Julinho Botelho. Julinho jogava na Fiorentina e se recusou a vir para ocupar o lugar de alguém. Foi daí que surgiu Garrincha. Aqui, se não pudermos contar com Kaká, temos Neymar, do qual Dunga lamentavelmente abdicou, e outros. Essa é a primeira medida para que nosso futebol renasça. O Santos não está aí para provar isso?
Há no Brasil uma eterna primavera, dizia Thomaz Mazzoni, onde florescem diariamente dezenas de bons jogadores. Precisamos saber o que fazer com esses jogadores, armar um time inteligente com eles. Precisamos também armar uma seleção em que, no dia seguinte à vitória (ou à derrota), a mulher do jogador vá à padaria da esquina e seja abraçada (ou vaiada) pelos vizinhos. Do jeito que está, o jogador da Seleção volta rápido para a Europa e mal fica sabendo das críticas ou elogios, não sente nada na pele. Além disso, é essa romaria com as viagens cansativas, acaba com qualquer um.

O ribeirão que passa ao lado de casa é mais importante do que o rio Amazonas, entende? Dá para escalar quatro ou cinco seleções aqui no Brasil, basta experimentar. Pergunto: não é assim, por exemplo, na Itália, onde pensavam, até há pouco tempo, em convocar brasileiros como Taddei e Amaury? Ou em Portugal, que convocou três brasileiros? Que mais?

Também precisamos, outro ponto muito importante, de técnicos competentes. O futebol brasileiro é vítima do ovo da serpente que nasceu com Feola e foi chocado por Zagallo, Parreira, Dunga… O comando da CBF não quer bons técnicos na Seleção. Quer os que não incomodam e que, se possível, tragam resultados. Os técnicos sérios sempre irão uma hora questionar o comando, e o que acaba prevalecendo é a convocação daquele treinador mediano que só diz ‘amém’ e que mais cedo ou mais tarde enterrará a Seleção, como Parreira em 2006.

Se tivéssemos alguém como Mourinho e Rafa Benítez para dirigir o Selecionado e fazer o futebol brasileiro voltar a jogar com a objetividade, a habilidade, a velocidade e o toque de bola que tem hoje, por exemplo, o Santos – mesclando nosso futebol-arte com disciplina tática –, não haveria pra ninguém e ganharíamos a maioria dos mundiais. Concordo.

Antigamente, se dizia que técnico vindo de fora tinha problema com a língua e que o jogador brasileiro não o entendia. Mas hoje o futebol está globalizado, nossos jogadores “estrangeiros” já se acostumaram com os técnicos no exterior e, além disso, os “brasileiros” não teriam problemas com treinador de fora comandando a Seleção. Você acha que nossos jogadores teriam alguma dificuldade com Mourinho, por exemplo? Fato é que não temos técnicos como os do primeiro time mundial, e a Seleção precisa de um assim.

Vejo também outro gargalo técnico no futebol brasileiro. Estamos taticamente defasados, não acompanhamos a evolução, não percebemos que se tornou obsoleto aquele jogador que exerce uma única função. A Seleção precisa mudar urgentemente nisso, convocando apenas jogadores versáteis e completos que fazem tudo em campo. Só assim poderemos enfrentar de igual para igual os europeus. Alguns jogadores, técnicos e até dirigentes – raros, é verdade – já enxergaram isso. Roque Júnior, por exemplo, é um deles. Disse exatamente a mesma coisa, num recente programa Arena, do SporTV, para um perplexo Cléber Machado, que parecia não acreditar no que ouvia.

Está certo Roque Júnior. O futebol, nos dias de hoje, tem quase que os mesmos conceitos do boxe ou do basquete americano: ataque, defesa, técnica e eficiência. Quer dizer, os onze jogadores têm de praticar o futebol total, do goleiro ao centroavante: cada um precisa saber defender, armar e concluir. Enfim, precisa ser útil ao time em todos os sentidos, muito mais do que sua mera posição exige. Nem passa pela cabeça de Dunga uma coisa dessas. Muito menos da mídia.

Seria então o fim do especialista, como Washington, do São Paulo, aquele que se restringe a exercer apenas uma função em campo?

Exato. Seria o fim, por exemplo, do clássico centroavante brasileiro, aquele matador sem mobilidade que fica postado lá na frente só à espera do momento certo para finalizar. Hoje, até o centroavante precisa ser ao mesmo técnico, ágil, de muita mobilidade e bem preparado fisicamente para dar o primeiro combate o tempo todo, além de saber servir bem e com eficiência. Exemplo: André, do Santos.

Eu até acho que poderiam improvisar um Zé Roberto ou um Lúcio como primeiro atacante, dois dos melhores jogadores da Copa de 2006 e entre os mais versáteis do futebol brasileiro, mas, se sugerir isso, vão dizer que estou louco.

Hoje, até o goleiro precisa ser completo, como Rogério Ceni. Recentemente, descobriram que Ceni corre mais em campo do que fazia Zito nos anos 50. E nossos jogadores, técnicos e dirigentes, inclusive a mídia, ainda não se deram conta disso.

Naquele mesmo Arena, Cléber Machado perguntou a Roque Júnior se muito rigor tático não engessaria nosso jogador, tolhendo seu futebol-arte, o que temos de melhor. Roque respondeu que é justamente o contrário, que a união da qualidade técnica com a disciplina tática acaba resgatando o futebol-arte e tornando nosso futebol imbatível.

Nada mais verdadeiro. Nossos craques que jogam na Europa, como Kaká e até mesmo centroavantes como Luís Fabiano, aprenderam que o jogador moderno precisa fazer muito mais em campo do que sua especialidade pede. Quando no São Paulo, Kaká não marcava nem roubava a bola de ninguém. Na Europa, aprendeu a combater, a destruir, a abrir espaço para os companheiros, a servir bem, enfim, tornou-se completo e versátil, o suficiente para se tornar “o melhor do mundo”.

O futebol-arte de Kaká, que havia desaparecido nos últimos dias dele no São Paulo, voltou a aparecer e vingou na Europa, contrariando inclusive minhas previsões, porque, jogando daquele jeito, sem poder nenhum de marcação, achei que não daria certo fora do Brasil. O mesmo aconteceu com o futebol-arte de Cristiano Ronaldo, Tevez e tantos outros. Os que não mudaram e não se modernizaram fracassaram e voltaram ou pararam de jogar.

É verdade, veja Washington, goleador do São Paulo. É ‘paradão’ lá na frente e, como já tem idade e os problemas que enfrentou no coração, é jogador de pouca mobilidade, não consegue ajudar o time como primeiro homem de marcação. Por isso, há quase dois anos o São Paulo é um time vulnerável. Agora, chamaram Fernandão e o problema acabou, o “campeão voltoooou” e tem tudo para ganhar a Libertadores. E ainda temos clubes, no Brasil, que jogam com dois centroavantes fracos de marcação, como o Flamengo de Adriano e Vagner Love, que por isso não vai bem na Libertadores. E ninguém do nosso futebol vê isso.

No Brasil, nem nossos dirigentes, técnicos, jogadores, torcida e muito menos a mídia esportiva perceberam que houve esse avanço. Como o papel da mídia é justamente esse, detectar problemas e concorrer para saná-los, ela também tem fracassado nesta que é sua maior missão. A ponto de podermos dizer que nossa crônica esportiva é, hoje, uma das maiores responsáveis pelos fiascos da Seleção e pela atual decadência do nosso futebol. A mídia aí está para apontar os erros, mas, como não consegue mais nem mesmo enxergá-los, não tem como corrigi-los, caindo nesse conformismo abominável.

E qual seria essa seleção de seus sonhos, só de “brasileiros”?

Evidentemente, o treinador teria de ousar também na escalação, inclusive com inovações e improvisações. Sempre que improvisamos jogadores em determinadas posições, lançando falsos centroavantes, falsos pontas etc., isto deu certo, como com Tostão e Jairzinho em 1970. Acho que ganhamos aquela Copa por causa da inovação e da improvisação. Tostão jogar como centroavante de mobilidade, armando e marcando, sabendo exatamente o que fazer sem a bola, foi um achado. Eu inovaria e improvisaria.

Hoje, minha seleção só de brasileiros teria a mesma base do Santos, reforçada com jogadores que estão fazendo sucesso por aqui, como Miranda, do São Paulo, o goleiro Felipe, do Corinthians, Kléber, do Cruzeiro e tantos outros. Esse time, se bem treinado, por técnico sério, ganha de qualquer Seleção que estará na Copa da África.

Tem certeza de que essa experiência só com brasileiros daria certo? Não deu no tempo de Falcão, deu?

Falcão não teve tempo para concluir o trabalho, pelo mesmo motivo que já mencionei. Quando a CBF chama um técnico sério, é geralmente para apagar incêndio e corrigir falhas deixadas pelo anterior, o qual ela só havia chamado para se livrar das críticas e do mal-estar, portanto, para não ter mais dor de cabeça. Esse técnico deve saber que não vai durar muito.

Não é fácil pôr em prática um plano sério na Seleção. Hoje, ela está nas mãos da televisão e dos patrocinadores. Se você não convoca as estrelas, que dão audiência, sua cabeça é posta a prêmio. Foi o que aconteceu com Falcão, que mal pode levar adiante o que tinha em mente só com “brasileiros”. Cortaram sua cabeça antes.

Desafio essa seleção de “estrangeiros” de Dunga a ganhar da seleção só de brasileiros que acabo de sugerir, com a mesma base do Santos e com os devidos reforços. Se fizermos dez amistosos, será que Dunga ganha um?

A impressão que tenho é de que Dunga não é um técnico clássico. O técnico de verdade é aquele que, antes de ser chamado, já tem o time titular definido na cabeça, porque sabe e conhece, como fez João Saldanha com suas feras em 1969. Dunga está há mais de três anos na Seleção e não fez outra coisa senão experimentar jogador até ele dar certo. Tão logo o jogador, no seu entender, deu certo, ele o manteve no time. O técnico autêntico é aquele bom olheiro que sabe identificar o jogador que quer para seu time. Dunga não tem este alcance. É por isso que não arrisca nunca, não chamou Neymar nem Ganso. De qualquer maneira, Vital, aquela sua experiência com Falcão deixou a impressão de que, só com “brasileiros” e sem seus maiores craques, a Seleção perde força e não deslancha.

De que adiantam os craques, se as condições são desfavoráveis? O craque que vem da Europa para fazer dois jogos pelas Eliminatórias, por exemplo, esteja ou não em fim de temporada, aguenta no máximo o primeiro jogo, e olhe lá. Há a viagem ao Brasil, onde faz o primeiro jogo, depois ao país em que vai atuar novamente. Não dorme direito, é aquele estresse, um tormento. Muito tempo no avião, desgaste, sofrimento. Ninguém aguenta.

No segundo jogo, ele já está combalido, sem fôlego para segurar o rojão. E nossa Seleção acaba tropeçando nas Eliminatórias, como aconteceu sistematicamente, correndo o risco até mesmo de não se classificar. A sorte é que, nas últimas eliminatórias, as seleções rivais não estavam bem e tropeçaram mais do que o Brasil, como foi o caso da Argentina. Aqueles que jogam no Brasil, ao contrário, não enfrentam esse problema, quando convocados. É preciso mudar muita coisa no nosso futebol, e eu começaria por armar essa seleção só de brasileiros.

E como faríamos com o técnico? Se não temos técnicos capazes de armar uma Seleção que una o futebol-arte ao futebol-força disciplinado taticamente, só o conseguiríamos com alguém do nível de um Rafa Benítez ou Mourinho, por exemplo? É isto?

Exatamente, a não ser que surja por aqui um treinador que tenha essa visão, esse alcance e se revele competente para tanto. Não vejo ninguém por perto, você vê? Outra coisa, essa seleção só de brasileiros precisaria jogar sempre no ataque, abafando o todo tempo o adversário já na saída de bola e com rigorosa disciplina tática, daí vir a ser muito dependente das substituições no segundo tempo, para ter fôlego e aguentar os 90 minutos sem parar de correr, como faz o Santos de hoje.

Isto significa que os reservas teriam importância “Vital” (risos), além do que não seriam exatamente reservas, pois haveria grande rotatividade, próxima do basquete, como você diz?

Sim, e não vejo nenhum técnico brasileiro, no momento, capaz de levar adiante um trabalho assim. Seja com o técnico que for, essa seleção deveria treinar bastante e jogar amistosos o suficiente para adquirir antes o necessário preparo físico, além de equilíbrio e sintonia, até aprender a jogar por música, o que não seria difícil, uma vez que todos atuariam no Brasil e estariam sempre disponíveis, longe do desgaste das intermináveis viagens.

A filosofia de jogo tem de estar acima de tudo, como enxergam os grandes técnicos do futebol mundial, de Rafa Benítez a Mourinho. A história não pode ser despedaçada, como vemos hoje. Uma vez que temos os melhores jogadores do mundo, se soubermos jogar com eles de forma inteligente, já disse aqui, seremos sempre imbatíveis. Duvida disso? A Seleção Brasileira tinha pelo menos três dos melhores do mundo em 2006. Por que não ganhou o Mundial? Porque convocou mal, escalou mal e jogou taticamente errado, o que só um técnico desse nível pode evitar.

Não acredito que o atual comando da CBF e a estrutura do nosso futebol, amarrados que estão em todos esses esquemas e jogos de interesse, da televisão aos patrocinadores, estejam em condições e preparados para encarar uma empreitada assim. Mesmo que estivessem, não teriam coragem. Se há uma coisa que falta ao comando hoje, além de preparo e competência, é ousadia. Pelo jeito, todo mundo perdeu o foco.

Principalmente, a crônica esportiva. Ela não se atualizou, não entende mais de bola e, com suas análises equivocadas, está empurrando nosso futebol para o abismo. Hoje, o jornalista é mero escriba que repete o que ouve nas coletivas. Não vai mais a campo para entender o que de fato está se passando com o jogador, acabou aquele jornalismo investigativo que ia fundo. Isto precisa parar. Nossa mídia tem de acordar e mudar, sob pena de se tornar mera assessora de imprensa dos clubes.

Você falou do gargalo técnico de nosso futebol, que não se modernizou e hoje se resume a isso que a Era Dunga acaba de solidificar, o que é muito triste. Mas eu vejo também, até como mais importante, outro gargalo, o da estrutura clubística, que entrou em colapso. Os clubes estão todos endividados, alguns à beira da falência, e se nada for feito nesse sentido, nosso futebol não tem futuro. Você vê saída para isso?

Esse é outro ponto, mais importante ainda. O futebol virou um grande negócio, é hoje cobiçado globalmente, e os que chegaram primeiro, com a força, já dominam tudo, dos patrocinadores aos veículos que detêm os direitos de transmissão. Atualmente, o jornalismo esportivo é parte interessada nesse grande negócio. E não há como reverter isto. A estrutura clubística, que é a base do futebol brasileiro, não acompanhou e se tornou incompatível com esse novo perfil. Os clubes estão mesmo falindo, por causa de um comando pífio, e uma hora a coisa estoura de vez.

Está sugerindo uma mudança estrutural no futebol, sem o que não garantiremos mais títulos?

Exatamente, e é neste preciso instante que começamos a sonhar. No momento, é impensável colocar em prática uma reviravolta dessa magnitude. Só que chegou a hora da adoção de medidas concretas que efetivamente salvem o futebol brasileiro. Se não começarmos já, nosso futebol vai rapidamente cair para segundo plano, se não em desgraça. Se deixarmos o barco correr do jeito que está, é certo que vamos ficar outros vinte anos sem conquistar títulos mundiais, mesmo que a Seleção ganhe agora a Copa da África. A única força que poderia mudar esse cenário é a mídia especializada, mas ela também já está comprometida.

Não há, então, como fazer vingar seu “Plano Vital”?

O plano é mais do Falcão e deveria se chamar “Plano Falcão”, justiça seja feita. Não acredito que venha a vingar, pelo contrário, acho que só vai aumentar o número de inimigos que já tenho. Mas não posso desanimar. É o futebol brasileiro que está ameaçado e, com ele, muita coisa de importante que move nosso País. Alguém tem de fazer alguma coisa, e já.

Aí está o Santos de Robinho, Neymar, Ganso e André provando que o plano de armar uma seleção só com “brasileiros” tem tudo para dar certo. Por que não experimentar? Por que não jogar essa molecada da Vila Belmiro, amplamente reforçada e dirigida por um técnico estrangeiro de ponta, contra a seleção de Dunga, mesmo que ela seja vitoriosa na África? Por que não testar esse time também contra o atual Barcelona, contra a Inter, contra o Chelsea? Custa tentar? A História vai cobrar uma postura assim, mais firme e ousada, da mídia esportiva e dos dirigentes.

 Tom Capri.
 
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Publicado por em maio 21, 2010 em Uncategorized

 

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