RSS

PORQUE O CORINTHIANS PAPOU O PEIXE

01 jun
As batatas-quentes de Corinthians e Ferrari
Entenda por que o Timão pescou e almoçou o Peixe
Tanto Corinthians quanto Ferrari estão com a mesma batata-quente na mão, difícil de segurar. O Corinthians precisa livrar-se de Ronaldo, mas ao mesmo tempo tem de conservar a qualquer preço Ronaldo. A Ferrari precisa livrar-se de Fernando Alonso, mas ao mesmo tempo tem de conservar a qualquer preço Fernando Alonso. A necessidade de mandar ambos embora é tão intensa quanto a de mantê-los. Nenhuma saída se avizinha, a não ser a de ter de digerir Ronaldo e Alonso até não dar mais.
O caso Corinthians e a vitória sobre o Peixe
O Corinthians precisa livrar-se de Ronaldo porque o jogador já deu o que tinha de dar e agora só atrapalha em campo. Acontece que Ronaldo também é o dono da bola, aquele que garante os cofres do clube. Aí está a batata-quente.
Manter Ronaldo no Corinthians sem que ele jogue é ir perdendo aos pouquinhos os patrocinadores e arrumar briga com o jogador. Mandá-lo embora é criar encrenca maior ainda, pois aí é que os patrocinadores fugirão de vez. Há uma terceira saída: é ir empurrando com a barriga, ou seja, Ronaldo joga vinte minutos aqui, vinte minutos ali, e vai sendo mantido no clube, até não dar mais. Quanto isto duraria, impossível prever.
O Fenômeno voltou para o Brasil acima do peso, dependente do tabaco e da cerveja. Treinou e entrou razoavelmente em forma e, como deu certo assim nos primeiros meses, relaxou, achando que não pararia mais de fazer sucesso.
Acontece que um erro crasso da diretoria do Timão mudou tudo isso: o clube se desfez daqueles jogadores que “serviam” a Ronaldo e também permitiam que ele jogasse mais solto, como Douglas, Chris, André Santos etc. Resultou daí que Ronaldo deixou de fazer aqueles gols de placa que voltara a marcar mesmo acima do peso e abraçado ao tabaco e à cerveja. Mais: a partir daí, o Corinthians despencou até ser eliminado da Libertadores no ano de seu centenário.
A partir daí, Ronaldo passou a ser vaiado e até sacado do time. O motivo alegado sempre foram contusões, mas já se sabe que Ronaldo e o técnico Mano Menezes não namoram mais com a mesma intensidade, têm até trocado farpas.
E, sem Ronaldo, o time melhorou consideravelmente. Centroavante ‘paradão’ e sem mais nenhuma mobilidade, o Fenômeno vinha sendo “um a menos” em campo, o que comprometia a boa marcação e a boa armação, tornando o time bastante vulnerável.
Mano Menezes já havia resolvido isso em parte ao escalar Souza. E ontem (30/5), contra o Santos, o técnico redescobriu o futebol moderno, desafiando a torcida e a diretoria, ao não escalar um centroavante clássico, aquele que joga enfiado apenas para finalizar e não ajuda o time em mais nada.
EM SUMA, O CORINTHIANS TERÁ DE ABDICAR DO CENTROAVANTE DE OFÍCIO — COMO REZA O FUTEBOL MODERNO, QUE NOSSOS DIRIGENTES, TÉCNICOS, JOGADORES E A MÍDIA ESPORTIVA AINDA NÃO ALCANÇARAM —, SE DESEJA PAPAR ESTE ÚNICO TÍTULO QUE AINDA LHE RESTA, NO ANO DO CENTENÁRIO.
Quem viu o clássico de ontem percebeu que o Corinthians transformou-se por completo, vindo a somar-se ao São Paulo e ao Santos como time mais moderno do futebol brasileiro: os três dispensam o centroavante clássico e atuam só com jogadores versáteis que fazem tudo em campo (defesa, armação e finalização).
Enfim, o Corinthians achou o seu time titular: é o que jogou no primeiro tempo. Ainda falta aquele bom meia-armador forte de marcação (Camisa 10) para jogar no lugar de Danilo (pode ser Tcheco, se voltar à boa forma de oito anos atrás). Sem o avante-poste, o Corinthians tornou-se um time leve, bastante equilibrado, com um coletivo que fez renascer o futebol-arte de seus melhores jogadores.
Resumo da ópera: o Timão pescou e almoçou o Peixe SEM CENTROAVANTE CLÁSSICO!!! Ou seja, bailou diante da molecada e pôs o Peixe na roda, sem precisar de Ronaldo ou de Souza, de ninguém do gênero. Aí está a batata-quente: ao se redescobrir sem o Fenômeno, o Corinthians entendeu também que já é mais um favorito ao título do Brasileirão deste ano, só que, para chegar lá, terá de abdicar de Ronaldo e até mesmo de Souza. Como o Coringão irá se sair dessa?
O caso Ferrari e a triste vida de Massa
A Ferrari vive quase o mesmo drama do Corinthians, só as cores mudam. A escuderia também chamou uma estrela, Fernando Alonso, mas não porque sonhava em ter um campeão do mundo (o espanhol é bi), e sim porque — a Europa em crise do jeito que está — é preciso atualmente contar com pilotos que garantam os cofres da equipe. A crise também chegou à Fórmula 1, a categoria já há algum tempo controla custos.
Alonso levou um monte de patrocinadores para a Ferrari. Isto obrigou a equipe a apostar todas as fichas no espanhol e a fazer de Felipe Massa (de novo) escada de um companheiro, relegando-o a segundo plano. O problema é que, apesar de ser bom piloto, Alonso é encrenqueiro e, até aqui, não vem dando conta do recado. Já vimos esse filme com o próprio Massa: a Ferrari também apostara todas as fichas em Kimi Raikkonen, desprezando o brasileiro, e acabou com isso jogando fora possibilidades de título.
Alonso não vem correspondendo porque sabe dessa sua responsabilidade: precisa ser melhor e mais rápido do que Massa e fazer bonito no Mundial, para garantir a permanência do patrocinador, sem o qual não terá como se tornar o maior piloto da história da F-1. Isto faz com que se precipite e se afobe nas tomadas de tempo e nas corridas (Massa também) e fique mais sujeito a erros e acidentes. Quem perde com isso são os dois pilotos e a equipe. Resultado: Alonso vem atropelando e passando por cima de Massa, sem trazer resultados. Uma batata-quente muito complicada.
A Ferrari faz o possível e o impossível para que Alonso se afirme como número um, destinando–lhe todas as atenções e inclusive melhor carro, mas os resultados decepcionam. Alonso decepciona porque, pressionado desse jeito, não tem tranqüilidade para boa tomada de tempo nem para ir bem nas provas.
Já Massa decepciona porque, sem igualdade de condições, tem de redobrar esforços para superar o companheiro de equipe, o que o deixa vulnerável e mais sujeito a erros e acidentes. O fã de Fórmula 1 já começou a dizer que Massa é inferior a Alonso, quando o brasileiro deu provas suficientes de que é mais rápido e mais piloto.
Massa caminha em direção ao mesmo abismo em que caiu Rubinho: obrigado a ser sempre “escada” de Schumacher, por força de contrato, Barrichello pagou caro e acabou ficando com a fama de pé-de-chinelo e eterno vice. Massa, que até há bem pouco era o maior candidato a novo mito do automobilismo, é o novo pé-de-chinelo e eterno vice da Fórmula 1, injustamente, é claro.
Agrava tudo isso a má-fase da Ferrari, que não começou a temporada com carros à altura de seus principais concorrentes, o que exige mais ainda dos dois pilotos, expondo-os a desgaste e estresse. Batata-quente difícil de segurar. Também quero ver como a Ferrari irá se safar dessa.


Tom Capri.












 
Deixe um comentário

Publicado por em junho 1, 2010 em Uncategorized

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: