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DEBATE SOBRE A DEMOCRACIA – PARTICIPE. 2a. PARTE

20 jul

Você encontra este texto também em meu site http://www.virobscurus.com.br, 
no link http://www.virobscurus.com.br/secao.asp?id=1&c_id=152

Críticas ferozes e inteligentes à 
minha suposta crítica à democracia

Dedicado a Daniel Piza, aqui citado, e a 
Denis Rosenfield, que ainda ignoram, mas 
têm todos os predicados para chegar à consciência. 

Criticam-me por suposta crítica que teria feito à democracia em meu recente texto “A verdade sobre a democracia”. Absolutamente, não critico a democracia. O que fiz foi inaugurar no País debate sobre a democracia, visando unicamente a mostrar o que ela cientificamente é, sem imputar juízo de valor. Ou seja, visando a mostrar a verdade sobre a democracia, que poucos conhecem. Veio então uma enxurrada de críticas ao meu texto, muitas pobres, outras pertinentes. Selecionei as mais ferozes e inteligentes. Se elas e minhas respostas a elas ainda não fecham a questão, de qualquer forma vão permitir que você conheça mais das verdades da democracia. Aí vão, com minhas respostas. 

Leitor – Tente um psiquiatra para arrumar um cérebro que passou por lavagem. 
Minha resposta – Eu passei por lavagem? Será? Já disse que não condeno nem critico a democracia, apenas levanto o que ela de fato é. Portanto, não opinei, apenas divulguei achados científicos sobre a democracia. E isto não é lavagem. Que culpa tenho eu se a força da gravidade ainda regula o Universo, a Terra gira ao redor do Sol e a democracia é o que eu disse no meu artigo? 
Lamentavelmente, a democracia é — como mostrei no texto e já está provado cientificamente — o maior e o pior dos autoritarismos. Os maiores holocautos têm sido perpetrados pela democracia. As maiores violências e atrocidades são perpetradas pela democracia. O maior cerceamento às liberdades é perpetrado pela democracia. A maior violação aos direitos humanos mais sagrados é perpetrada pela democracia. E eu não posso ser responsabilizado por isso. Se você não acredita nestas verdades sobre a democracia ou me achou pouco convincente, procure investigar um pouquinho o que é de fato a democracia. Irá facilmente constatar que estou coberto de razão. 
Aí, se as verdades que vier a descobrir não forem contra seus interesses, assuma-as. Jogue no lixo as noções equivocadas que você tem a respeito da democracia. Agora, se tais verdades vierem a esbarrar nos seus interesses, volte a vestir a máscara da mentira, como você sempre fez, sem o saber. Antes, você vestia a máscara da mentira sem ter a menor consciência de que a estava vestindo, o que é perdoável. Agora, se você vier a descobrir que são mesmo verdadeiras tais verdades sobre a democracia — e não aceitar nem assumir nenhuma delas —, aí será decisão consciente de sua parte, portanto, criminosa. Assumir conscientemente mentiras a respeito de algo tão relevante quanto a democracia é crime. 
Leitor – Meu caro, você só está podendo escrever tudo isso devido à democracia. 
Minha resposta – Eu sei, é verdade, só pude escrever isto que está no meu artigo, a respeito da democracia, porque estou numa democracia e, também, porque a democracia, experiente e perspicaz, é a que mais cerceia a liberdade de expressão, só que sabe fazer isto muito bem, melhor do que em qualquer outro formato de sociedade. Estou tendo total liberdade de escrever o que escrevi agora por estar, você tem razão, numa democracia. Mas se o que eu disser começar a vingar e vier a atingir as pessoas, ou seja, se eu começar a me tornar uma ameaça efetiva, não tenha dúvida: a democracia, essa mesma que me permite escrever tudo isto agora, calar-me-á à bala, mesmo que eu não esteja inventando nada, que esteja apenas sendo científico e dizendo as maiores verdades sobre a democracia. E não serei o primeiro nem o último a tomar bala em nome da democracia.  
Nisto, a democracia é mais insidiosa e hedionda até que as piores ditaduras e as piores formas de autoritarismo. Nestas, já está explícito que você não pode falar. Na democracia, você pode falar à vontade, mas, se a verdade que disser não interessar, ninguém vai publicar. É por isso que as verdades científicas que não interessam são rejeitadas pela mídia “democrática” e nenhuma publica. Tente, por exemplo, publicar estes meus textos sobre a democracia, mostrando as verdades sobre ela, no The New York Times, na Veja, no Globo, no Estadão, na TV Globo ou em qualquer outro veículo. Desafio você a conseguir. 
E, se conseguir (o que não é impossível, mas muito difícil), começará a ser lido e ouvido, e o que você escrever repercutirá. No momento em que você começar a ser ouvido e o que disser vier a repercutir, a democracia mostrará sua cara e se tornará mais violenta e violadora das liberdades e dos direitos humanos do que qualquer ditadura ou outra forma de autoritarismo. Prepare-se, logo uma bala atingirá sua testa e você morrerá sem saber de onde ela veio. Vide Ghandi, Martin Luther King e tantos outros. E, por favor, não tome isto como defesa minha das ditaduras nem de qualquer outra forma de autoritarismo, porque sou o ser humano mais contrário a elas que você jamais irá encontrar no Planeta. Fiquei contente por você ter-me lido. Mais ainda por se ter familiarizado com as verdades da democracia. 
Leitor – Só um doente pode achar, em pleno século 21, que a democracia é uma mentira. 
Minha resposta – A democracia não é uma mentira. É real, aí está. Só que raros, você entre eles, sabem o que ela verdadeiramente é. A democracia é uma árvore seletiva, que dá diferentes tipos de frutos, a maioria deles nefastos e criminosos, embora ela seja responsável também pelo rápido avanço tecnológico da humanidade, principalmente nos três últimos séculos.  Qualquer curso de sociologia chinfrim mostra que isto é verdade — a democracia como o pior dos autoritarismos —, apoiado em provas documentais e convincente argüição científica. O problema é que, para muitos — para a maioria, no Planeta, em especial para as classes dominantes —, é óbvio que as verdades sobre a democracia não interessam nem um pouco. 
Leitor – Dê-me, então, um único exemplo que prova ser a democracia o pior dos autoritarismos. 
Minha resposta – Não precisa acreditar agora, porque o tempo irá comprovar para você, mas já está provado cientificamente que a democracia real, esta que temos hoje, é apenas um instrumento de defesa e proteção do capital. A democracia real é, portanto, o capital em uma de suas partes mais essenciais, como o coração é parte essencial do ser humano. Faça um esforço para acreditar que isto é verdade, uma vez que já está provado cientificamente e é só uma questão de tempo você vir a aceitar. Como a democracia real é o capitalismo e o capitalismo, também já está provado, cria e se alimenta da miséria — cria e se alimenta de toda a miséria que está no mundo, não só na África, mas nos demais continentes —, temos, primeiro, que essa miséria resultante da democracia/capitalismo só pode ser enxergada e interpretada como o pior dos autoritarismos e, por fim, como a que promove o maior dos holocaustos, que é a mortandade pela fome, o que mais mata no mundo, atualmente. 
Talvez eu não precise explicar a você — uma vez que o amigo se formou em Economia — as razões pelas quais o capitalismo cria e se alimenta do desemprego e da miséria. Você já deve ter estudado e se familiarizado com o conceito de “exército industrial de reserva” (se não estudou, encontra a explicação em meus dois livros, Terra em Trânsito e Miséria da Ciência, disponíveis em pdf em meu site http://www.virobscurus.com.br). 
Acho que, ao menos a este respeito — a respeito do fato de que, mais do que criar riquezas, o capitalismo é fonte geradora de toda a miséria do mundo —, já podemos dispensar apresentações e provas: a democracia/capitalismo não passa de uma demoniocracia.  Só na Índia, para não falarmos da América Latina e da África, existem cerca de 600 milhões na linha ou abaixo da linha de pobreza, fenômeno gerado pelo capitalismo, logo, pela democracia. É o maior índice de mortalidade infantil do Planeta, por conta da miséria e da fome perpetradas pela democracia/capitalismo. Não basta isto para você? 
Afora a mortalidade de milhões de crianças, temos outros milhões morrendo de fome, só na Índia, por obra e graça da sua democracia/capitalismo, todos vítimas do roubo de força de trabalho que ela perpetra diariamente em escala mundial. E você acha isto pouco? E olhe que não estou nem falando da miséria em que a democracia/capital jogou, por exemplo, parte das três Américas e toda a África, não só com a escravidão, mas durante o colonialismo predatório. Isto é pouco para você? 
A democracia/capitalismo impôs tudo isso ao mundo com TOTAL AUTORITARISMO — ou seja, pela força, mesmo, até porque detém a bomba atômica e todos os tipos de armas para conseguir se impor e mandar —, matando quem se atreveu a mudar essa ordem das coisas. Ou seja, a democracia/capitalismo levou à morte parcela considerável da humanidade, em um número muuuuuito maior do que os milhões de judeus mortos no Holocausto. E você ainda acha que a democracia tem de ser preservada e não pode ser destruída, pois, segundo você, “só faz isso a todos nós”? Onde você está com a cabeça? Este exemplo que mostra que a democracia é não só o “pior dos autoritarismos”, mas também a que promove diariamente o “maior dos holocaustos”, não é suficiente para você? Quer mais? Há muito mais. Posso mandar a você.  
Leitor – Se você condena a democracia, qual é a alternativa que sobra? 

Minha resposta – Bem, meu caro amigo. Não condeno a democracia, já expliquei isto a você, apenas tento mostrar o que ela é. E não há alternativa para a democracia, no presente momento. Os caminhos que a humanidade toma não são nem nunca foram opções conscientes, no sentido de voluntárias. A humanidade enveredou por acaso pela democracia, sem ter muito arbítrio sobre ela, e agora vai ser um custo sair dela. Nunca escolhemos esses caminhos. Não escolhemos, por exemplo, a monarquia. Foi assim, ponto, parágrafo. Também nem dá para escolher novos caminhos. A coisa não funciona assim. É impossível qualquer um de nós sentar em frente ao computador e bolar um novo “ismo” para substituir o capitalismo, ou seja, a democracia.
Este foi o grande erro de outro “ismo”, o chamado socialismo real, que nada ou pouco teve de socialismo verdadeiro. Imaginou-se que podíamos implantar radicalmente um novo “ismo”, pela força, principalmente por Stalin, quando isto era impraticável naquele momento. Deu no que deu, você já viu, e não durou muito. A democracia não desaparecerá tão cedo, nem poderemos tomar um novo caminho enquanto ela não cair de podre. Sim, podemos acelerar esse processo — e já o estamos acelerando, quando, por exemplo, você faz, pela sua construtora e incorporadora, um empreendimento verde, acrescentando mais um tijolinho no processo de demolição inteligente da democracia/capitalismo. Assim, de grão em grão, a humanidade pode um dia chegar lá e se livrar desse processo de autodestruição que nos impinge há séculos a democracia/capitalismo.  
O resto é conversa fiada, é utopia. A alternativa que proponho, a única que vejo como viável, é a mesma que você já vem realizando: a de demolir dessa forma inteligente a democracia/capitalismo, ou seja, pelo por pelo, tijolo por tijolo, pondo um breque na devastação a que estamos assistindo. Se não nos unirmos nesta hora, para brecar esse processo de autodestruição da humanidade a que estamos assistindo, provocado pela democracia/capitalismo, ele acabará rapidamente com a vida na Terra, como já o vem fazendo. E este será o pior dos holocaustos, por obra e graça da democracia. O mais importante de tudo é tomar consciência do que é verdadeiramente a democracia/capitalismo, para poder lutar com eficácia e eficiência contra ela. E, no momento, lutar com eficácia e eficiência contra ela é fazer o que você já faz: abrandar os efeitos da destruição provocada pelo capital, até acabar de vez com eles um dia, lá na frente. Mais não dá, por ora. 
Partir para os finalmentes contra a democracia/capitalismo, neste momento, é mais do que utopia, é burrice, até porque a humanidade está condicionada a ela, viciada mesmo. Se você radicaliza contra o viciado, ele pode não suportar o choque e morrer. Ou seja, qualquer radicalização neste momento pode acabar com a própria humanidade. Seria, do mesmo jeito, o pior dos holocaustos. Já pensou? Porém, isto não significa ficar de braços cruzados. Temos todos de agir como você. Toda vez que o amigo toma uma atitude para conter essa avalanche que nos impinge a democracia/capitalismo, está lutando com eficácia e eficiência por um mundo melhor, e sem se perder nas utopias. 
Leitor – Ao desconstruir assim a democracia, você vai contra a sabedoria popular, o que não é nada inteligente, é burro a meu ver. 
Minha resposta – A sabedoria popular é o que há de mais torpe, na sociedade. É um depositário daquelas mentiras que, de tanto serem ditas repetidas vezes, tornam-se verdades. Por exemplo, tudo o que você crê ser a democracia não passa de mentiras que, de tanto terem sido repetidas — por quem mais sempre teve interesse nisto —, tornou-se verdade. Por isso, a sabedoria popular — sinônimo de maioria, de unanimidade, de senso comum, de bom senso, portanto, de democracia, expressões que você tanto usa, preza e louva — está eivada de noções e convicções falsas e equivocadas e de aberrações como esta, que varam os séculos como falsa consciência até se fazerem passar por verdades. 
Mais de 90% do que entendemos hoje por sabedoria popular é tudo, menos SABEDORIA. É puro desconhecimento, equívoco, ignorância, alienação no que a alienação tem de mais torpe, enfim, é crime de lesa-humanidade. Normalmente, a sabedoria popular é conservadora e burra. E é conservadora e burra porque é maria-vai-com-as-outras no que Maria tem de pior, subentendendo-se aqui “as outras” como sendo os desígnios e as vontades frequentemente nos impostos pelas classes dominantes (e dos quais as classes dominantes nem têm consciência, por serem alienadas também). Desígnios e vontades que acabam se tornando hábitos, quando não vícios, ganhando finalmente o status de bom senso e sabedoria popular. 
Um desses desígnios das classes dominantes, e que é inconsciente em seus pares (elas o fazem por pura necessidade, para se conservar e sobreviver), é o de alardear como verdadeira essa falsa consciência que existe hoje sobre a democracia. É prática comum, nas classes dominantes, alardear recorrentemente mentiras através dos séculos — mentiras que obviamente interessam e elas e das quais não têm a menor consciência (apenas acreditam naquilo) —, até que essas mentiras se tornam verdades e, no fim da linha, ditames do bom senso e da sabedoria popular. 
Toda verdade é sempre convincente, convincente até demais. Só que nem todos estão interessados em se deixar embalar e levar pela verdade. Preferem a mentira, pois a verdade pode levá-los ao desaparecimento, como o padre prefere crer em Deus a crer na verdade mais do que verdadeira, e já comprovada cientificamente, de que Deus não existe. Se o padre deixa de acreditar em Deus, perde imediatamente sua condição de padre, pois não sobrevive sem ela, como padre. Sim, há que reconhecer, as classes dominantes desconhecem as verdades verdadeiras da democracia. Não sabem que a democracia é o melhor instrumento de defesa e proteção do capital. Não suspeitam que ela não só dá respaldo às ações do capital, como este respaldo é sua razão de ser. As classes dominantes ainda não se deram conta inteiramente de que a democracia é, nos dias de hoje, a defesa incondicional do capital, nada mais do que isto. 
Mas todas as classes dominantes, no Planeta, já sabem que a democracia é a sua melhor cria e o que de melhor poderia ter acontecido para elas, daí alardearem pelos quatro cantos — exatamente como faz o articulista Daniel Piza em sua coluna Sinopse de domingo no Estadão (6/6/2010, Caderno 2, página D12) — que a “democracia é o menos ruim dos sistemas porque pode ser aprimorada; e aprimorá-la hoje, com todos os meios de informação disponíveis, implica continuar reduzindo a ignorância dos cidadãos e continuar ampliando a transparência da máquina (do governo)”. 
Quer visão mais idealizada e romântica da democracia? Quer noção mais falsa e equivocada? Daniel Piza e bilhões não sabem que não há como — é totalmente inviável, um contra-senso, mesmo — aprimorar e aperfeiçoar a democracia. Não é ela, como já vimos, o maior e o pior dos autoritarismos, a que perpetra os maiores e piores holocautos, as maiores violências e atrocidades, o maior cerceamento às liberdades, a maior violação aos direitos humanos mais sagrados? Como aprimorar e aperfeiçoar algo que é assim tão demoníaco já na raiz? 
Não está claro isto para você? Não está claro que é impossível, à democracia, aceitar as críticas e corrigir-se e aperfeiçoar-se? Isto seria retirar-lhe o calço, a base que a sustenta e que lhe dá vida, posto que a democracia é dependente das atrocidades que comete, mais do que isto, não sobrevive sem elas. É justamente por isso que a democracia é o pior dos autoritarismos: ela depende dos crimes que comete, pois se nutre deles para funcionar e se manter viva. E seus crimes não são poucos e são os mais ferozes, atrozes e monstruosos. 
Aí está a noção verdadeira de democracia que nunca chega às consciências. Pelo contrário, chega essa noção falsa e equivocada que você tem, integrando-se ao senso comum e também ao bom senso, até se tornar unanimidade e opinião da maioria, ganhando finalmente o status de sabedoria popular. Em suma, eis o que dita a sabedoria popular de nossos dias, daí ser burra e pertinaz conservadora de sua burrice. 
Leitor – A ideia de democracia vem dos gregos antigos e é anterior ao período a que você se refere no seu artigo (últimos dois séculos). É fruto do desenvolvimento político da nossa civilização, que evoluiu dos estados autoritários da antiguidade para o surgimento do estado moderno, que substituiu a origem divina do poder pela sua origem no povo, que transformou a monarquia absolutista em monarquia constitucional, em que os próprios reis passaram a se subordinar a uma constituição, com estabelecimento das regras do jogo, explicitação dos direitos dos cidadãos etc. 
Minha resposta – Você ainda acredita nisso? Que a democracia real que aí está seja, de verdade, a forma de governo do povo, pelo povo e para o povo? Errado, meu caro amigo. Sim, a ideia de democracia vem dos gregos antigos, mas não é nem nunca foi essa ideia romântica e idealizada que você tem. Jamais a nossa civilização “evoluiu dos estados autoritários da antiguidade para o surgimento do estado moderno, que substituiu a origem divina do poder pela sua origem no povo, que transformou a monarquia absolutista em monarquia constitucional”, como você diz. ISTO NUNCA ACONTECEU! Vejo que você nunca se aprofundou nas origens da democracia. 
A democracia nasceu na Grécia já como democracia real. Nunca substituiu a origem divina do poder pela sua origem no povo, como você diz. A democracia original, a grega, já nasceu como instrumento de defesa e proteção das classes dominantes de então. Esse povo a que você se refere acima, que era na Grécia da época o escravo, nem chegava perto do poder. Nem ser humano era! Não tinha a menor vez! Democracia não é o governo do povo, pelo povo e para o povo? Cadê o povo na democracia grega? A democracia grega — só os cidadãos podiam votar — já nasceu como instrumento de proteção e defesa (de conservação, mesmo) da escravidão, imposta pela classe dominante grega por ser essencial à conservação da sociedade de então. 
A democracia original grega era a coisa mais antidemocrática que a humanidade já conheceu, pois nem reconhecia o povo, que era o escravo. As classes dominantes gregas da época estavam assentadas na escravidão, eram dependentes dela, não conseguiam sobreviver sem ela, daí terem transformado a escravidão em algo previsto em lei. Não é que a democracia original, da Grécia Antiga, contemplava ou permitia a escravidão e, por causa desse deslize, precisava ser aperfeiçoada. É que a democracia original grega — que você tanto preza — confundia-se com a escravidão, era a forma ideal de governo encontrada para conservar o regime escravista, posto que ela, a democracia de então, não conseguia sobreviver sem a escravidão. 
A democracia da Grécia Antiga nunca foi do povo, pelo povo e para o povo, foi apenas a democracia das classes dominantes gregas, pelas classes dominantes gregas e para as classes dominantes gregas. Na verdade, ela foi a única forma encontrada, pelas classes dominantes de então, capaz de equacionar a questão da propriedade das terras e dos escravos, na Grécia da época, evitando assim que os proprietários de terras e de escravos se engalfinhassem pelos espaços e pela posse de escravos, levando à concentração e aos monopólios. Quem era proprietário de menor porte não queria perder a boquinha, a democracia caseira grega o salvou. 
Foi necessário inventar o direito com suas leis, o Estado, a política, a milícia etc., e também reunir toda a força possível da época — ou seja, foi necessário inventar o Estado de Direito e a Democracia — para impedir que a sociedade grega da época se esfacelasse. Afinal, a Grécia Antiga estava assentada na propriedade privada (usurpação de terras) e na escravidão (ou seja, estava assentada, pela violência e pelo autoritarismo mais sórdido, na disputa e na discórdia). 
Para que as propriedades permanecessem divididas de forma mais ou menos equânime entre as famílias pertencentes às classes dominantes — ou seja, entre os poucos proprietários de terras e escravos, o que é o mesmo que dizer, entre os usurpadores e conquistadores (de espaços, escravos etc.) —, a Grécia antiga criou a democracia, que de autêntica nunca teve nada. É justamente por esse mesmo motivo que a Grécia Antiga (ao lado dos romanos etc.) criou o Direito, legitimando e sacramentando na letra da lei o direito à posse da terra e dos grupos que nela habitavam, escravizando-os. O estado de direito e a democracia foram criados apenas para manter as terras e os escravos nas mãos daqueles poucos proprietários, os “escolhidos” que compunham as classes dominantes de então. 
Eu sei que é difícil acreditar nisso, mas o direito, com suas leis, nasceu exatamente com esse fim: sacramentar, na letra da lei, as conquistas territoriais da época e a escravização dos povos conquistados. Em suma, a tão decantada democracia grega nasceu para que os usurpadores de territórios e escravizadores pudessem dizer: “Isto aqui é meu, aquilo é seu, assim dita a lei e estamos conversados”. Enquanto isso, os usurpados ficaram chupando o dedo. Foram escravizados, sem direito a nenhuma propriedade, nem mesmo às que haviam sido expropriadas de seus antepassados. 
E a democracia é assim até hoje, mero instrumento de defesa e proteção das classes dominantes, hoje, o capitalista. Sim, o povo pode votar nas democracias modernas, mas os candidatos passam por seleção tão cuidadosa, nos partidos, principalmente nas democracias clássicas como a dos EUA, que acaba não havendo como o povo escolher livremente um candidato que autenticamente o represente. Quando o povo consegue escolher um candidato assim, seu, algo raro nas democracias, ele não pode sair da linha, como acontece hoje com Lula. E, se consegue sair da linha e faz prevalecer suas vontades, levando a mudanças radicais, vem rapidamente o golpe de estado ou o atentado, acabando com sua alegria. Há dezenas de casos assim, na democracia, como Salvador Allende, no Chile, afastado à bomba do poder pelos militares e pela CIA, nos anos de 1970, dando lugar à ditadura de Augusto Pinochet. 
Da mesma forma, a política — e eu já expliquei algumas vezes isto a você — também já era, na Grécia antiga, onde ela nasceu, instrumento de proteção e defesa das classes dominantes, para preservar a “democrática” sociedade grega que, na época, se assentava na escravidão e não podia sobreviver sem a escravidão. Esta prática autoritária e holocáustica — à qual a humanidade veio a chamar de democracia —, já na Grécia Antiga era o pior dos autoritarismos e a ardilosa promotora do pior dos holocaustos. 
A escravidão era a razão de ser da sociedade grega da época, logo, era a razão de ser da democracia real daquele período, que por sua vez era a razão de ser da política, também inventada pelos gregos. A democracia de então foi criada pelo mesmo motivo que foi inventado o poder (no verdadeiro sentido que tem esta palavra), ou seja, foi criada pelas mesmas razões que levaram à invenção da política: para que as classes dominantes da época pudessem manter intacta a dominação sobre os escravos e continuar a praticar o roubo de força de trabalho (do escravo, naturalmente, ou seja, do povo), e pela via do chicote. Política e poder — sacramentados pelo estado de direito e pela democracia — não passam de formas de dominação para impor autoritariamente o roubo de força de trabalho, a causa-mãe de todas as desgraças da humanidade, desde então. 
Já era impossível, na época, aperfeiçoar aquela democracia real para torná-la ideal. Os gregos não eram ingênuos: se permitissem que o povo (o escravo) votasse, formando uma democracia ideal e autêntica, os escravos logo votariam num representante de sua classe, destruindo a democracia tal qual ela fora originariamente concebida e deixando de ser escravos. Seria o fim da sociedade grega tal como estava instituída. E se os gregos tivessem, por acaso, permitido que os escravos passassem a ter direito a voto e a chegar ao poder — o que historicamente jamais aconteceu —, no dia em que o primeiro escravo guindado ao poder tentasse, por exemplo, acabar com a escravidão, seria imediatamente sacrificado numa esquina qualquer, como já vimos acontecer à exaustão na história das democracias. 
Tanto a política tal qual veio originariamente ao mundo pelos gregos quanto a democracia tal qual veio ao mundo pelos mesmos gregos já eram, naquela época, sinônimo do pior dos autoritarismos e promotora do maior e pior dos holocaustos. Não bastam estes dados científicos para você? 
Abraços a todos, Tom Capri. 
 
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Publicado por em julho 20, 2010 em Uncategorized

 

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