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SELEÇÃO DESMORALIZA MÍDIA E CBF

11 ago
Seleção “santástica”
desmoraliza mídia,
CBF e Dunga, e
prova que estamos
há mais de 50 anos
prontos para ganhar
todos os mundiais.
Conselhos urgentes a Mano Menezes
A Rodrigo Aun, que joga society comigo e também é fã da Seleção
            A Seleção de Mano Menezes botou os americanos na roda. Os gringos não sabiam o que estava acontecendo em campo. Mas saíram de cabeça erguida, pois só perderam de dois. Podia ser de dez. Quem foi realmente desmoralizado é a CBF e a Geni-Press, nossa mídia esportiva. A Geni-Press porque também ainda não faz a menor idéia do que de fato aconteceu ontem em campo. A CBF, pelo mesmo motivo.
Em 2001, escrevi um livro (Terra em Trânsito, disponível em pdf em meu site www.virobscurus.com.br) em que mostro com clareza as razões pelas quais o Brasil já poderia ter conquistado no mínimo dez Copas do Mundo e por que tem jogadores para ganhar todos os próximos mundiais.
Bastaria convocar só seus melhores jogadores versáteis e completos e treiná-los suficientemente, com inteligência, armando um time equilibrado e com preparo físico exemplar. Como o Brasil tem os melhores jogadores do mundo, se souber convocar e armar um time assim, ganhará todos os mundiais.
Acontece que não temos cabeça para isso. Um grupo mafioso está no comando da CBF. E também prevalece no País uma mídia que há muito tempo deixou de ser combativa e não consegue abalar as estruturas, como nos 50, 60 e 70. É o que basta e explica todos os vexames até aqui.
Já disse isso e gosto de repetir porque me enche o ego: em 1969, derrubei o comando da Seleção, como repórter do Estadão. E a então CBD foi obrigada a chamar gente de peso para a comissão técnica (João Saldanha como técnico, que convocou as “Feras do Saldanha”). Pelas mãos então de Zagallo, essa seleção ganhou a Copa de 70.
Hoje, até porque se tornou parte do negócio e não pode abrir a boca, sob pena de pôr em risco os direitos de transmissão dos jogos da Seleção, como acontece com a Globo, a mídia não consegue derrubar nem o porteiro da CBF. Assim, o comando permanece ditatorialmente por décadas, pinta e borda, e a Seleção — bem como todo o nosso futebol — dá esses vexames históricos que temos visto.
            Então, a culpa é sempre da mídia, que indiscretamente se faz de bobinha e não toma mais atitudes, deixando de ser combativa, exceção a um ou a outro jornalista. Em razão dessa sua inoperância compulsória, nossa mídia — que eu chamo de Geni-Press, por dar para qualquer um e nunca tomar atitudes concretas, daí até a merecer que se jogue muita bosta nela — permite que as coisas cheguem a esse ponto.
            Entre mandos e desmandos, a CBF então comete essas barbaridades como as de 2006 e 2010. A atuação da Seleção ontem nos EUA, brilhante, não só denuncia tudo isso, como desmoraliza a Geni-Press, que, permissiva em todos os sentidos, tem concorrido para últimos fiascos.
O espetáculo de ontem também desmoraliza o comando da CBF, que, sem nenhuma denúncia de peso ou freio contundente da parte da mídia (e livre para fazer o que bem entende), transformou-se numa fábrica de vexames. Dunga, que é cria dessa estrutura falida, não deve ter dormido ontem. Só dormiu se não viu o jogo.  
            E a Seleção não deu aquele show só porque os Meninos da Vila são endiabrados. Não. Foi principalmente — repito, principalmente — porque a Canarinho voltou a jogar como em 1970: só com jogadores completos, versáteis e talentosos (a de 70 ainda tinha um Brito para destoar), em oposição aos chutões e àquele futebol de grife do jogador que só faz uma coisa em campo, como Luís Fabiano.
            A Seleção que vimos ontem já está pronta para qualquer Copa há mais de 50 anos. E a fórmula é desde então a mesma: como o futebol moderno exige que se jogue só com jogadores completos e versáteis, que desarmem, armem e finalizem muito bem, basta juntá-los num time equilibrado e ganhar sem cessar os mundiais. Eu disse isso algumas vezes em textos divulgados antes e durante a Copa da África.
            Se esses jogadores versáteis e completos (o faz-tudo em campo) forem, além de tudo, habilidosos à lá Pelé e Maradona, aí “não tem para ninguém”. O Brasil é um celeiro de craques, principalmente daquele craque completo, o jogador que “faz-tudo” em campo, e muito bem, durante os 90 minutos.
            E Mano Menezes, que eu vinha criticando por considerá-lo um blefe no Corinthians — deixou que a diretoria desmontasse aquele timaço campeão da Copa do Brasil —, me surpreendeu pelo bom-senso. Ainda tenho algumas dúvidas em relação a Mano. Por causa da convocação injustificada de Jucilei, fiquei com a impressão de que a Seleção vai ser o novo balcão de anúncio dos produtos do Corinthians. Aos poucos, todos do meu querido Timão irão para lá em quarentena para a valorização. Espero estar errado e julgando precipitadamente. Mas o correto foi feito.
Mano pôs em campo a Seleção que todos os brasileiros tinham em mente antes da Copa. Eu mesmo, em vários artigos, dizia antes e durante o Mundial da África, que a Molecada do Santos, com um ou outro reforço aqui e ali, ganharia de goleada daquele time sem graça de Dunga. Como eu, milhares disseram o mesmo.
O novo técnico pode ser um blefe, mas tem talento e coragem para fazer o óbvio e o mais fácil. Em 1958 e 62, levamos aquele time com a base do Botafogo (Didi, Garrincha, Zagallo e Nilton Santos — em 62, também tinha Amarildo). Com um reforço aqui, outro ali (e mais Pelé, é claro), ganhamos aquelas duas Copas.
Não é simples? Não é óbvio? É, mas às vezes não enxergamos o simples nem o óbvio. Dunga se preparou quatro anos para montar aquele elefante branco. Mano precisou de apenas quatro minutos, se tanto. Um técnico desses não pode ser considerado um blefe.
E há muito pouco a fazer, ao contrário do que ouvi da mídia ontem. Basta conservar esse espírito e essa mentalidade, como costuma dizer o versátil e completo repórter Vital Battaglia. Não precisa mais ganhar nenhum título dos que vier a disputar. Isto porque não vai perder mais nenhum, a não ser por algum acidente de percurso: um apito amigo contra a Seleção, duas ou três contusões sérias num mesmo jogo que abalaria a autoestima dos demais ou algo parecido.
Eu prefiro ver o Brasil perder e jogar como ontem a ver a Seleção capengar, capengar e, sem convencer, conquistar o Mundial, como ocorreu em 1994. Temos futebol para “sobrar” em campo. Basta que o treinador saiba montar um time capaz de jogar assim. E, até o show de ontem, eu achava, como Vital Battaglia, que não tínhamos um técnico capaz de armar um time dessa maneira. Mano pode ser esse técnico.
Parece incrível, mas o Brasil poderia ter perdido o jogo de ontem. Poderia ter desperdiçado as duas chances que aproveitou para fazer os gols e os Estados Unidos aproveitado uma das poucas que tiveram. Isso é do jogo do futebol. Mas a Seleção Brasileira tem jogadores para sempre sobrar em campo e dar show, mesmo que, por um acidente qualquer, perca a partida. Basta que tenha um técnico capaz de fazer isso.
Aí, você dirá: mas desta vez Ricardo Teixeira acertou, então? Pode ser, mas tem errado mais do que acertado, e não dá para ficar nessa gangorra. Achar um técnico sério, de tal maneira que as coisas venham a andar bem (como vimos ontem), exige que se mexa na estrutura do futebol brasileiro.
Hoje, o esquema de Ricardo Teixeira (já divulguei isto aqui) está assim: o técnico competente e eficaz só é chamado em último caso, para apagar incêndio, quando não dá mais para segurar o rojão. É mais ou menos o caso agora da convocação de Mano Menezes. Ricardo Teixeira, neste momento, não pode mais brincar, pois vem do fiasco na África.
O bom técnico se impõe e só trabalha com autonomia, não aceita intromissão. E isto é o que menos interessa a Ricardo Teixeira, que precisa mandar em tudo, para não pôr em risco esse seu negócio milionário que é a Seleção.
Por essa razão, está sempre chamando técnicos que não desafiam a estrutura e abaixam a cabeça. É visível que, além de não entender de futebol, Ricardo Teixeira precisa sempre convocar técnico que não lhe atrapalhe. Quando é obrigado a chamar um de personalidade e que se impõe, acaba tendo problemas, de Luxemburgo a Felipão.
            O que é preciso, agora, é aconselhar Mano Menezes. Por favor, Mano, comece a poupar esse seu time. “Esconda” os jogadores de vez em quando, não dê muito mole, vá testando outros, só os escale aqui e ali.
Reitero, a Seleção deu esse baile ontem não porque conta com gênios e craques, mas principalmente porque todos eles são versáteis e completos. Sim, quanto mais geniais forem os versáteis e completos, melhor e mais equilibrado será o time. Mas dá para montar umas dez seleções desse nível, Mano, você até já deve saber.
            E a melhor delas que você vier a montar deve ser preservada. Doravante, todos esses jogadores que brilharam ontem vão começar a deixar seus clubes ou já estão no Exterior. Se forem para fora, como André, aí tudo fica mais difícil para tê-los em forma nos amistosos. Vai acontecer também de começarem a se poupar em seus times, para não perderem a Seleção. Neste caso, cairão de produção, o que irá submetê-los a críticas. Poderão deixar a impressão de que desaprenderam e deixaram de jogar bola.
Por outro lado, todos eles passarão a ser mais perseguidos pelos adversários em campo, podendo sofrer contusões até com fraturas e não disputar a Copa. Vêm aí momentos difíceis, extra-campo, aos quais você deverá dedicar total atenção. Todo cuidado é pouco. E valeu pelo show de ontem, Mano. Abraços a todos, Tom Capri.

 
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Publicado por em agosto 11, 2010 em Uncategorized

 

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