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QUALIDADE DO AR NO RIO DE JANEIRO

04 set

Software irá monitorar comportamento de gases e qualidade do ar no estado

Vinicius Zepeda- FAPERJ
foto Divulgação
Queima dos resíduos da extração do petróleo está
entre as principais razões de poluição do ar no estado

A sustentabilidade ambiental – termo criado para designar o conjunto de políticas públicas que aliam desenvolvimento econômico a medidas que minimizam a poluição causada pela ação humana – já é um dos principais temas de discussão em fóruns, congressos e centros de pesquisa do País. 

E as razões para o crescente interesse em torno desse tema particular da agenda ambiental não são poucas. Nos grandes centros, como a região metropolitana do Rio de Janeiro, por exemplo, a redução da poluição do ar gerada por novas e velhas indústrias tem mobilizado a atenção das autoridades públicas.

Com a realização de grandes eventos nos próximos anos, como a Copa do Mundo, de 2014, e as Olimpíadas no Rio, em 2016, o assunto têm merecido atenção ainda maior. Uma das iniciativas recentes nessa área é o trabalho desenvolvido pela Aquamet Meteorologia Projetos e Sistemas Ltda., ligada à incubadora de empresas da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação em Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro). 

A empresa vem desenvolvendo um modelo matemático com tecnologia nacional capaz de reunir, em um só produto, o monitoramento da qualidade do ar, as reações químicas causadas pela combinação dos diferentes poluentes liberados na atmosfera e os dados obtidos por estações meteorológicas.

O resultado final é a previsão da qualidade do ar em tempo real para todo o estado do Rio de Janeiro. O projeto é desenvolvido com auxílio do edital Apoio à Inovação Tecnológica no Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ.

Coordenado pelo meteorologista Ricardo Marcelo, da Aquamet, o projeto conta com a participação de alunos de pós-graduação, professores e pesquisadores ligados ao Laboratório de Modelagem de Processos Marinhos e Atmosféricos (Lamma), do Departamento de Meteorologia da UFRJ, e do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), da Coppe/UFRJ. Ricardo explica que, em todo o mundo, as medições da qualidade do ar tanto para análise do impacto ambiental da instalação de novas indústrias, como para medir o nível de poluentes já dispersos na atmosfera, são feitas por meio de modelos computacionais que utilizam equações matemáticas para simular o comportamento do meio ambiente.

“Para uma estimativa de cenários mais críticos, utiliza-se o código aberto do modelo americano Aermod, que analisa apenas a dispersão dos gases na atmosfera”, diz Ricardo. “Já para aplicações mais complexas, utiliza-se o CMAQ, que leva em consideração as reações químicas que podem ocorrer no ar devido ao somatório de diferentes poluentes provenientes de indústrias, refinarias, carros e queimadas. A tudo isso, somam-se os dados climáticos obtidos por estações meteorológicas”.

No Brasil, destacam-se os grupos de pesquisa da UFRJ e outro da Universidade de São Paulo (USP), os únicos que dispõem de conhecimento para aplicar e interpretar as complexas equações do CMAQ. “No caso do estado do Rio, que dispõe de um moderno pólo petroquímico, siderúrgicas e termoelétricas, não basta analisar o nível de poluição local, precisamos investigar também como estes gases interagem entre si na atmosfera, se eles têm origem na região ou se advêm de áreas remotas, daí a importância de dominarmos a tecnologia do CMAQ”, afirma o meteorologista.

Ele destaca a necessidade não só de criar um modelo semelhante ao CMAQ no País, como também de adequá-lo à nossa realidade, uma vez que ele tem uma interface adequada a seu país de origem, os Estados Unidos. “Já com o uso do Sistema Integrado de Modelagem Ambiental (Sima), esse conhecimento será mais adequado ao Brasil e será de mais fácil acesso aos pesquisadores”, complementa.

Ricardo lembra de dois incidentes ocorridos no Brasil em agosto deste ano. O primeiro, uma chuva de cor alaranjada, que atingiu a cidade de Porto Alegre e intrigou seus moradores. O fenômeno, que chamou a atenção das autoridades, foi resultado da dispersão de gases provenientes de queimadas no Mato Grosso.

Já no município do Rio, na região de Santa Cruz, onde está instalada a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), um vazamento de resíduos de ferro-gusa diretamente na atmosfera liberou um pó branco que tem causado alergia na população local, chamando a atenção de autoridades de saúde locais. “Com o conhecimento disponível atualmente no País, só conseguimos mapear o deslocamento desses gases por meio do Aermod.

Para interpretar as reações químicas formadas por esses gases e suas interações com a qualidade do ar, precisaríamos de um tempo mínimo de dois a três meses para aplicar um modelo com a complexidade do CMAQ”, lamenta o meteorologista. “Com a integração do Sima, no entanto, teríamos esses resultados em questão de uma a duas horas, conseguindo saber a origem e para onde se deslocariam os poluentes, bem como sua concentração e a determinação das áreas a serem afetadas”, afirma, entusiasmado.

Para desenvolver o projeto, a equipe coordenada por Ricardo contou ainda com a aquisição de um computador de alto desempenho, essencial para o desenvolvimento do projeto e que foi obtido com apoio da FAPERJ. Além do Sima, a equipe ainda poderá contar com uma estação de monitoramento ambiental e meteorológica, a ser instalada em local a ser definido.

A aquisição será feita por meio de uma parceria da Aquamet com o Sistema de Meteorologia do Estado do Rio de Janeiro (Simerj) – órgão do governo do estado responsável pela área de meteorologia – e deverá contribuir para aumentar o conhecimento sobre o clima no estado, fundamental para um sistema deste porte. “No mês de novembro, promoveremos um workshop para interagir com os atores da sociedade e para capacitar profissionais na utilização do Sima.

Na ocasião, serão convidados técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pelo licenciamento ambiental no estado, e empresas interessadas. Depois, discutiremos com as equipes do Simerj e da UFRJ o melhor local para instalar a estação”, diz Ricardo. “Os testes já foram iniciados e, ao final do projeto, divulgaremos todas as informações ao público e às empresas, pela Internet, em tempo real. A ideia é de que no final de 2010 já possamos estar com o produto no mercado”, conclui.

 
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Publicado por em setembro 4, 2010 em Uncategorized

 

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