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UFPA ESTUDA A ZONA COSTEIRA

05 set

Bragança tem a terceira maior exploração comercial
de pescado do Estado, com  seis mil toneladas a

 Jéssica Souza/UFPA
foto Alexandre Moraes
“Como esteira de luz e bonança / A esplender para nossa emoção / Esta terra ideal de Bragança / É de Deus a melhor criação”. Essa é a estrofe inicial do hino escrito pelo poeta Antônio Telles de Castro e Sousa para uma das cidades mais antigas do Pará, localizada no nordeste paraense, a 220 quilômetros da capital Belém. Os versos remetem à biodiversidade típica das terras amazônidas, que, no caso bragantino, se traduz em uma vasta área de manguezal, praias de mar e de água doce, como a formada pelo Rio Caeté, às margens de onde surgiu o primeiro povoado que, há 388 anos, deu origem ao município.


O rio, que conferiu à cidade o carinhoso apelido de Pérola do Caeté, suporta uma diversificada ictiofauna (conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região), na qual figuram espécies como pargo, pescada amarela, mero, bagres, garoupa, pescada gó e muitos outros, inclusive, peixes ornamentais. O porto de Bragança é o terceiro do Estado com maior exploração comercial de peixes, produzindo cerca de seis mil toneladas anuais, ficando atrás apenas de Belém (10 mil toneladas) e Vigia (nove mil toneladas).

A diversidade natural de pescado na região bragantina não apenas significa um “prato cheio” para a subsistência da população nativa ou para o desenvolvimento da economia local, como também para pesquisas científicas, a exemplo das promovidas pela Universidade Federal do Pará, que, desde 1987, sedia um campus no município. O Campus de Bragança, atualmente coordenado pela professora Rosa Helena Sousa, é o primeiro no interior paraense a possuir um curso de Engenharia de Pesca, graduação criada em 2006, com recursos do Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

Os investimentos do Reuni, com base nas potencialidades da economia pesqueira da região do Salgado, tornou possível a estruturação do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), que, no Campus de Bragança, abriga os cursos de Engenharia de Pesca, Ciências Biológicas, com Licenciatura em Ciências Biológicas e Ciências Naturais, e o Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental, com mestrado e doutorado na área. Segundo o professor Pedro Chira Oliva, diretor geral do Instituto, as pesquisas sobre a zona costeira favorecem o desenvolvimento socioeconômico de Bragança e a preservação da biodiversidade nativa, com foco na exploração sustentável. É o primeiro instituto criado em um campus do interior na UFPA.

Recursos garantem construção de 10 novos laboratórios

Os recursos do Programa MEC Expansão e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) possibilitaram, também, a construção de 10 novos laboratórios e 14 novas salas de aula, infraestrutura necessária ao desenvolvimento científico na região. Os Laboratórios de Pesquisa e Tecnologia da Engenharia de Pesca; Pesca e Navegação; Aquicultura de Peixe Ornamental e Peixe Marinho; Ictiopatologia e Sanidade; Extensão Pesqueira (Socioeconomia); Cartografia, Geoprocessamento e Modelagem; Genética Aplicada à Pesca e Aquicultura; Tecnologia do Pescado; Microbiologia; Qualidade de Água; Biologia Pesqueira; Geologia Costeira e outros integram a estrutura do Instituto de Estudos Costeiros.

No Laboratório de Aquicultura de Peixe Ornamental, por exemplo, desenvolvem-se tecnologias de criação, produção, nutrição e sanidade de peixes ornamentais. Aquários de vidro, sistemas de recirculação e tratamento de água auxiliam na investigação da sustentabilidade dessa cadeia, tanto de pesca quanto da criação em meio aquático. Segundo o coordenador do Laboratório, professor Rodrigo Fujimoto, o Pará é o segundo Estado brasileiro que mais exporta peixes ornamentais de captura. “Em Bragança, o comércio de peixes ornamentais ainda não é tão forte, mas a UFPA está capacitando pessoas para criarem esses peixes na região”, explica.

Isso significa investimentos em educação e no desenvolvimento da economia local a partir de atividades de ensino, pesquisa e extensão. No Laboratório de Tecnologia do Pescado, sob a responsabilidade dos professores Marileide Alves e Carlos Cordeiro, alguns projetos prestam serviço à comunidade. Um deles, coordenado por Carlos Cordeiro, desenvolve estudos comparativos entre a pescada gó e a pescada sete grudes, abundantes na região. “Há suspeitas de fraudes com relação aos filés desses pescados vendidos na Vila dos Pescadores de Bragança. Vende-se o que é mais barato como sendo aquele de maior valor, ou seja, usa-se a sete grudes como se fosse a gó”, comenta o professor.

Sopa de resíduos de pescado tem alto valor nutritivo

Além de trabalhos de análise físico-química de ostras e de defumação de pescado de água doce, como o tambaqui e a tilápia, o Laboratório de Tecnologia de Pescado apoia o projeto de pesquisa coordenado pelo professor Francisco Holanda, que recentemente ganhou um prêmio estadual sobre Inovação Tecnológica. Trata-se do desenvolvimento de uma sopa feita com resíduos de pescado, de alto valor nutritivo e baixo custo. A proposta é incentivar a utilização do alimento como merenda escolar da rede pública de ensino. Atualmente, o projeto concorre ao mesmo prêmio em caráter nacional.

A primeira turma de Engenharia de Pesca do Campus de Bragança conclui o curso ainda em 2010, disponibilizando cerca de vinte novos engenheiros no mercado local. “O curso de Engenharia de Pesca foi muito bem aceito em Bragança, uma vez que o Pará é o segundo maior produtor de pescado da Amazônia e pode chegar a ser o primeiro. Bragança é o terceiro porto que mais desembarca pescado e onde estão localizadas as principais indústrias de pesca da região”, afirma a professora Zélia Pimentel Nunes. A expectativa é que, em breve, o curso seja reconhecido nacional e internacionalmente.

 
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Publicado por em setembro 5, 2010 em Uncategorized

 

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