RSS

ESPÉCIES MARINHAS FORNECEM PRINCÍPIO ATIVO PARA FÁRMACOS

10 set

Síntese marinha   

Por Alex Sander Alcântara/Agência FAPESP

Polissacarídeos sulfatados (cadeia de açúcares com alto peso molecular) desempenham funções estruturais importantes, uma vez que estão envolvidos em diversos processos biológicos, como adesão, proliferação e diferenciação celular. Além disso, possuem diversas atividades farmacológicas: são anticoagulantes, antiinflamatórios e antitumorais.

Em estudo apresentado nesta quinta-feira (9/9) no Workshop sobre biodiversidade marinha: avanços recentes em bioprospecção, biogeografia e filogeografia, realizado pelo programa Biota-FAPESP na sede da Fundação, Paulo Mourão, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), demonstrou a importância desses polissacarídeos no processo de fertilização de alguns invertebrados marinhos.
O objetivo do trabalho de pesquisa é isolar, caracterizar e determinar as estruturas dos polissacarídeos sulfatados de invertebrados marinhos, especialmente o ouriço-do-mar, pepino-do-mar e ascídias.
“Tentamos demonstrar como esses polissacarídeos regulam o processo de fertilização do ouriço-do-mar. Isso é importante para a atividade biológica desses equinodermos. Vimos que se trata de um mecanismo de controle. Quando ocorre a fertilização, o espermatozoide do ouriço só fertiliza o óvulo da própria espécie”, disse Mourão à Agência FAPESP .
O fato de fertilizar tal óvulo tem uma importância biológica muito grande, segundo o pesquisador do Laboratório de Tecido Conjuntivo da UFRJ, por estar relacionado com a diferenciação biológica da própria espécie.
“O entendimento dos mecanismos genéticos que regulam essa diferenciação permitirá, no futuro, entender a partir de uma base genética como ocorre a formação dessas espécies de ouriço-do-mar”, disse.
Segundo Mourão, a longo prazo o objetivo da pesquisa é compreender geneticamente como se dá a biossíntese desse processo envolvendo os polissacarídeos. “Com isso, conseguiremos entender um dos mecanismos que regulam a separação das espécies de ouriços-do-mar”, estimou.
O cientista destacou que a pesquisa se concentra no estudo da estrutura, da função e das atividades biológicas de diferentes tipos de polissacarídeos sulfatados com o objetivo final de desenvolver novos fármacos, principalmente contra trombose.
O laboratório da UFRJ já descobriu, por exemplo, substâncias análogas à heparina – polissacarídeo usado no tratamento de trombose e que é produzida comercialmente a partir de intestinos e pulmões de bovinos e suínos – em espécies de ascídias.
Segundo Mourão, há uma urgência na produção de novas drogas antitrombóticas e antitumorais. “No caso da heparina, ela é uma fonte de produção limitada e empregada por via intravascular ou subcutânea. Estamos tentando criar um polissacarídeo que possa ser ministrado por via oral”, indicou.
 
 
Deixe um comentário

Publicado por em setembro 10, 2010 em Uncategorized

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: