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OS CAMINHOS DA BIODIVERSIDADE

16 out
Um caminho de educação para a biodiversidade
A Escola da Biodiversidade Amazônica experimenta novos modelos de ensinar-aprender


Biodiversidade, espécies ameaçadas, desmatamento… Quem disse que estudar assuntos sérios não pode ser divertido? Na perspectiva de experenciar  processos de ensino-aprendizagem para/na Amazônia  surgiu a Escola da Biodiversidade Amazônica – a EBIO seu propósito e aliar educação e comunicação  estimulando a troca de saberes  e práticas pedagógicas de modo a desenvolver ações e estratégias que eduquem de forma dialógica sobre a diversidade amazônica. 
Contando com pesquisadores e estudantes da Universidade do Estado do Pará, integrantes do Núcleo de Estudos em Educação Científica, Ambiental e Práticas Sociais- Necaps e do Museu Paraense Emílio Goeldi, a EBIO iniciou em outubro sua Campanha de Adesão junto as escolas paraenses, com ações de educação ambiental que propõem aproveitar os recursos didáticos que a natureza generosamente oferta. A Escola Municipal Maria Flora Guimarães da Silva, localizada no Rio Taiassui, município de Benevides foi a primeira a aderir à EBIO. A comunidade ribeirinha fica cerca de 30 quilômetros do centro de Belém.
Para chegar à escola, inserida em meio a uma linda floresta de beira de rio, os estudantes e visitantes usam “rabetas” – pequenos barcos movidos a motor. O trajeto demora cerca de 30 minutos, dependendo das condições da maré. 
A visita da EBIO/ INCT Biodiversidade e Usos da Terra na Amazônia na Escola Maria Flora aconteceu em decorrência de um convite feito pela Secretária de Educação do município de Benevides, professora Elielza Silva Prata, que promove debates na escola relacionados ao meio ambiente. Além da professora Elielza, a equipe da EBIO foi recebida pela professora Arlete Cristina, responsável pela Escola Maria Flora. Na primeira atividade na escola de Benevides, a EBIO abordou a importância da conservação da biodiversidade. 
Os educadores instigaram as crianças a mostrar, descrever e conservar a biodiversidade no local em que vivem. Após as apresentações iniciais, alunos e educadores fizeram uma trilha ao redor da escola municipal, identificando elementos naturais e problemas ambientais.
A Professora Cristina relembra que alguns anos atrás, os alunos bebiam água do rio sem tratamento adequado e viviam doentes. Para mudar essa situação, foram dadas instruções na escola de como tratar a água antes do consumo, o que segundo ela, reduziu casos de doenças.
A troca de saberes entre os integrantes da EBIO e da Escola se deu num processo dialógico e participativo em que se observou a interação de todos. Para Gleyson Learte, estudante de Pedagogia na UEPA e integrante da EBIO, experiências como essa são muito importantes para firmar o conhecimento construído na universidade. “Nós levamos e absorvemos conhecimentos durante vivências como essa. É uma forma produtiva de se passar o conhecimento e de aprender. Dentro do colégio, ficamos em teoria, mas a prática ela firma o conhecimento”, diz o universitário.
O lúdico como ferramenta de educação
Kits contendo massinha de modelar, borracha, lápis e outros materiais foram entregues às crianças para a construção de elementos que compõe a biodiversidade Amazônica.  
“Já fiz muitas atividades de educação ambiental neste ano, mas essa foi a melhor. Nós percebemos nos olhos e pelo falar delas (as crianças) que elas passaram o conhecimento que tem, e do que eles querem aprender. Eu aprendi muito”, diz Henrique Vilani, estudante do curso de Engenharia Ambiental da UEPA. E a resposta das crianças foi imediata. “Dia Maravilhoso”, define, empolgada, Rosilene Dias, 12, estudante do 5º ano da Maria Flora. 
Com massinha de modelar, as crianças confeccionaram animais, plantas e pessoas, aprendendo que os seres humanos também são elementos da biodiversidade. A interação também foi realizada por meio da música e conversa dos educadores, estudantes e comunicólogos com os pequenos. Atentos a tudo o que ocorria em volta, os alunos do Maria Flora aprenderam brincando a valorizar a biodiversidade amazônica. Eles também ensinaram, com base na experiência de cada um alguns usos da biodiversidade local, como por exemplo fazer uma peçonha para subir em um açaizeiro. 
 “Apesar de pequenos, o senso de realidade deles é muito grande. Eles sabem que é preciso saber tirar o açaí, e aprender a pescar para se alimentar. Eles sabem da realidade em que vivem.”, afirma Albert Cordeiro, 25, integrante da EBIO. “Nossa educação ainda desfigura os saberes da Amazônia. E, hoje, foi dia de observar e presenciar isso. Àquelas crianças tem o domínio dos saberes passados pelos pais. Percebemos que elas sabem que a biodiversidade é importante para a sobrevivência, mas, no sentido mais imediato e não como cultura. O trabalho da EBIO é fortalecer que biodiversidade também é cultura”, conclui.
“Nós somos biodiversidade”
Para a equipe da Escola da Biodiversidade, a atividade realizada na Escola Maria Flora reforçou o compromisso com a educação ambiental e o fomento de novas práticas para o ensino da biodiversidade na Amazônia.  
“Acho  fundamental pensarmos em práticas alternativas de educação para atender as necessidades das pessoas que vivem aqui. E, a EBIO tem o objetivo de repensar a educação a partir da experiência, propor um modelo onde todas as disciplinas se relacionem com a biodiversidade. Trabalhar as questões ambientais e cidadania a partir  do contexto que eles vivem. Educação pensada de dentro e não modelo de fora”, conclui Francisco Perpétuo, geógrafo formado pela Universidade Federal do Pará – UFPa e membro da EBIO.
Não só no que concerne à educação, mas também na comunicação, experiências ricas puderam ser compartilhadas, o que contribuiu para o desenvolvimento de alternativas para tornar a comunicação uma ferramenta de cultura e educação, disseminando o conhecimento científico e tornando-o acessível para a maioria dos públicos. “A escola da biodiversidade é uma construção coletiva.
Nós, coletivamente, construímos e experimentamos essa proposta. O caminho se faz ao caminhar. Estamos elaborando juntos”, diz a vice-coordenadora da EBIO, Joice Santos, que também coordena o LabCom Móvel. Os bolsistas da comunicação puderam realizar experimentos com as mídias locativas e utilizá-las em benefício da ciência.
 Ao final da manhã, a EBIO encerrou a visita e anunciou a adesão da primeira escola ao projeto. “Hoje, a escola Maria Flora está associada à Escola da Biodiversidade. A EBIO quer discutir os nossos saberes, dizeres e fazeres da nossa Amazônia. Desejamos reinventar o fazer pedagógico nas escolas da Amazônia. Ter uma educação que parta das nossas raízes”, afirma Maria de Jesus Ferreira.
Educomunicação para o ensino das ciências
Coordenada por Maria de Jesus da Conceição Ferreira (Universidade do Estado do Pará – UEPA) e Joice Santos (Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG), a EBIO é um sub-projeto do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia. O programa de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) foi criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia a fim de promover o desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica no país. Coordenado por Ima Vieira (MPEG), o INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia atua na região do Arco do Desmatamento.
Atuam como integrantes da EBIO, o Núcleo de Estudo e Pesquisa em Educação Científica, Ambiental e Práticas Ambientais – NECAPS/UEPA e o projeto Labcom Móvel – Estudos e Práticas de Comunicação Pública da Ciência na Amazônia (MPEG/CNPq). Unindo as áreas da educação e da comunicação, o projeto Escola da Biodiversidade inicia suas atividades a fim de promover o uso de práticas ambientais nas escolas, por meio da educação ambiental e da educomunicação, fazendo uso das mídias locativas para facilitar as trocas comunicacionais.
Dentre as metas da EBIO, também está a continuação das jornadas itinerantes, a promoção da 5ª edição do Prêmio Márcio Ayres para Jovens Naturalistas, o I Fórum de Educadores para a Biodiversidade, a exposição itinerante “Biodiversidade Amazônica e Suas relações”, além de outras ações de educação e comunicação. Ao final de cada atividade, o objetivo principal da EBIO é tornar disponível o conhecimento científico produzido pelos pesquisadores do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, fortalecer os conhecimentos tradicionais da Amazônia e propagar o sentimento de que “Nós somos Biodiversidade”. 
Texto: Paola Caracciolo e Ellyson Ramos
Fonte- Agência Museu Goeldi
 
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Publicado por em outubro 16, 2010 em Uncategorized

 

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