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21 fev

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Cientistas utilizam energia solar para produzir água potável

O quiosque de água funciona em um vilarejo em Moçambique.
O quiosque de água funciona em um vilarejo em Moçambique. (swisswaterkiosk.org)
Por Isobel Leybold-Johnson, swissinfo.ch

Pesquisadores suíços desenvolveram um aparelho que explora a energia do sol para purificar água, um sistema de grande potencial nos países em desenvolvimento.

O SwissWaterKiosk (n.r.: quiosque suíço de água), desenvolvido por uma equipe da Universidade Técnica de Rapperswil, está sendo atualmente testado em Bangladesh, Moçambique e Tanzânia.

Quase 900 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável de acordo com as Nações Unidas.

 
“O conceito do SwissWaterKiosk é a utilização de uma tecnologia sustentável para purificar a água. Nosso principal objetivo é dar acesso à água potável para pessoas que não tinham esse acesso anteriormente”, afirma o chefe do projeto, Lars Konersmann.
 
O sistema usa tecnologia térmica solar para aquecer a água. Pesquisadores mostraram que a água não precisa ser aquecida a 100 graus centígrados para matar todos os micróbios patogênicos, como explica Konersmann. De fato, 75°C por mais de cinco minutos já são suficientes para purificar o líquido. Porém o modelo desenvolvido pelos suíços prefere a segurança e aquece a água a 80°C.
 
“Quanto menor a temperatura, mais eficiente podemos ser e mais água podemos produzir com o mesmo investimento ou material”, acrescenta o pesquisador. O sistema pode purificar diariamente 500 litros de água ao custo inicial de 500 dólares por aparelho, o que os cientistas consideram um preço comparável a outros sistemas.
 
Facilidade de uso
 
O quiosque é destinado mais para a utilização coletiva de pequenas comunidades do que individualmente em lares. Nela, um empresário local pode se responsabilizar pela produção e distribuição da água. O líquido pode ser vendido a baixos custos como um serviço comunitário ou cedida gratuitamente a escolas ou hospitais.
 
Konersmann diz que a principal vantagem comparada a outras tecnologias é que o quiosque é de fácil manutenção e funciona de forma eficaz, o que é importante quando se aplica tecnologia em países em desenvolvimento. “Desde que o processo de tratamento de água é como colocar a água para ferver, a tecnologia é de fácil compreensão e aceitação”, acrescenta.
 
A segunda fase-piloto, acompanhando uma primeira para testar a tecnologia, é a avaliação dos aspectos sociais, especialmente diferentes modelos de operação. Os testes estão sendo realizado em três países até o final do ano.
 
Em Bangladesh, o projeto, baseado em Dhaka, mostrou que a tecnologia não é ideal para espaços urbanos, pois lá já existem grandes sistemas centrais de tratamento de água que são mais econômicos e eficientes. No entanto, tem havido comentários positivos das áreas rurais e semi-urbanas na África.
 
Escolas e outros espaços
 
A ONG suíça Helvetas está executando dois projetos-pilotos ao norte de Moçambique, onde atua na questão do acesso à água e projetos sanitários há muitos anos. Em março mais outro cinco sistemas de filtragem serão instalados.
 
“Os primeiros sistemas funcionam em escolas. Agora nós iremos instalar mais alguns para testá-los em diferentes contextos, sejam centros hospitalares, outras escolas e também em espaços comerciais como restaurantes, que estão interessados em testá-los”, afirma Kaspar Grossenbacher, coordenador de programa da Helvetas.
 
“Ainda é muito cedo”, salienta Grossenbacher. “No início os alunos estavam um pouco relutantes em usar o quiosque, mas agora eles pegam sua água potável dele.”
 
Houve alguns problemas: a água era um pouco quente e o sistema não funcionava nos poucos dias nublados que a região tem no seu período de chuvas, afirma o especialista. “Mas, no entanto, eles continuam a usá-lo e estão interessados em ampliar as quantidades.”
 
Acesso seguro à água
 
A situação de acesso à água nessa região de Moçambique – um dos países mais pobres do mundo – é crítica, diz Grossenbacher. Poços são a solução comum.
 
Helvetas não prevê que o quiosque irá proporcionar acesso à água potável a conjuntos inteiros de comunidades rurais, pois suas necessidades são muito amplas. A ONG acredita que o sistema é ideal para instituições, onde água potável é necessária. “É uma solução específica que estamos testando para o uso por instituições específicas”, explica o suíço.
 
Uma ideia eventual poderia ser colocar o quiosque em áreas mais densamente povoadas, onde a população aparece para comprar água, em adição ao atendimento das suas necessidades por poços artesianos. Trata-se de algo que precisa ainda ser testado como um novo conceito, afirma Grossenbacher.
 
Konersmann diz que o objetivo é concluir o segundo teste-piloto em três países com algumas histórias de sucesso, tendo em vista a expansão do sistema nesses países e até além disso. “Água potável é uma necessidade básica de cada ser humano”, ele diz. “Ela constrói a base para a qualidade de vida.”


Isobel Leybold-Johnson, swissinfo.ch

Adaptaçao: Alexander Thoele

 
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Publicado por em fevereiro 21, 2011 em Uncategorized

 

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