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21 mar

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Os zoológicos reveem seu papel na conservação da vida silvestre

Carlos Fioravanti

© EDUARDO CESAR

Muitas espécies de animais hoje em vida livre passaram por zoológicos. 

O mico-leão-dourado, o condor americano, o condor andino, uma espécie de cervo da Oceania e outra de cavalo da Polônia, o diabo-da-tasmânia e o panda já estiveram em perigo iminente de extinção, foram levados para zoológicos, conseguiram se reproduzir e voltaram à vida livre. A ararinha-azul não foi mais vista nas matas, mas vive em zoológicos do Brasil. 


O rinoceronte-branco, chimpanzés e lobos já estariam extintos se não estivessem em cativeiro. 

“Para muitas espécies, o zoológico é a última fronteira”, diz José Luiz Catão Dias, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo e ex-diretor técnico-científico do zoológico de São Paulo, o maior do Brasil, com um acervo de cerca de 3.100 animais, visitado anualmente por 2,5 milhões de pessoas, a maioria crianças. 

Os zoológicos participam há anos do esforço para conservar animais silvestres, embora não consigam acompanhar o ritmo em que seus ambientes naturais se perdem: dos estimados 2 milhões de espécies de seres vivos no mundo, 150 tipos únicos de organismos são extintos diariamente. Agora intensificam a colaboração com outras instituições para ampliar a pesquisa científica que possa beneficiar tanto os animais quanto os seres humanos. 

Dentro de cochos de alvenaria com a frente de madeira pintada de verde, em um pátio cercado por mata atlântica, uma mistura de folhas, galhos e troncos de árvores triturados, serragem, um lodo rico em microalgas resultante do tratamento da água dos lagos, dejetos e carcaças dos animais se  decompõe durante 90 dias, antes de ser usada como adubo nas plantações e jardins do zoológico paulistano. 

Em meio ao material de compostagem, uma equipe da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) encontrou quase 400 espécies de microrganismos de interesse biotecnológico, por produzirem enzimas que podem facilitar o desenvolvimento de novos antibióticos, produtos de uso amplo como sabões em pó ou combustíveis derivados da cana-de-açúcar. Se as pesquisas correrem bem, vários microrganismos podem ganhar uma aplicação ambiental, por digerirem compostos poluentes como fenóis e hidrocarbonetos. 

Em outra vertente, Fernando Soares, pesquisador do Hospital do Câncer AC Camargo e coordenador do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) do Câncer financiado pela FAPESP, conheceu em dezembro a coleção de lâminas e blocos de parafinas com amostras de órgãos e tecidos de animais necropsiados desde 1958 – e gostou muito. “É um material intocado, que abre imensas oportunidades de pesquisa”, disse. “Queremos começar a trabalhar assim que possível, oferecendo nossa experiên­cia de 13 anos do banco de tumores do Hospital do Câncer, para formar um banco de tumores dos animais.” 

Um dos animais que tinha sido necropsiado havia pouco tempo quando Soares estava lá era um tamanduá com um câncer de fígado – tumores são bastante comuns, já que os animais em cativeiro vivem mais do que em vida livre. 

Outro era um orangotango obeso com uma severa aterosclerose, causada pelo acúmulo de gorduras de origem animal nas paredes dos vasos sanguíneos. Algo intrigante, porque orangotangos são herbívoros.
 
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Publicado por em março 21, 2011 em Uncategorized

 

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