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Raposas entram nas cidades

Animais selvagens como a raposa se aproximam cada vez mais dos espaços urbanos.
Animais selvagens como a raposa se aproximam cada vez mais dos espaços urbanos. (RDB)
or Jean-Michel Berthoud, swissinfo.ch

A população de raposas na cidade de Zurique aumenta constantemente.

Esse é um problema presente em todas as metrópoles do país, mas que pode ser resolvido através da cooperação entre guardas florestais e a população.

Parada de Schmiede Wiedikon, em um bairro de Zurique. Os passageiros enfrentam o frio na plataforma com pesados casacos e esperam pacientemente o trem. Apenas um dos presentes parece estar com muita pressa: uma raposa, que corre entre as pernas das pessoas, uma cena não muito incomum em Zurique.


 
“Temos na cidade de Zurique uma população relativamente grande de raposas, aproximadamente 1.200. Em praticamente todas as grandes metrópoles do país também existem grandes populações de raposas”, explica Stefan Dräyer, guarda florestal do município de Zurique para a região de Uetliberg.
 
“À primeira vista é sempre um pouco uma surpresa ver que existem raposas em uma cidade. Mas aqui em Zurique temos muita área verde e elas são, para vários animais selvagens como a raposa, um bom habitat.”
 
Onívoros famintos
 
Além disso, “em uma cidade existe bastante alimento à disposição e que pode ser aproveitado pela raposa. Por isso elas estão aqui”, acrescenta Dräyer. Em princípio, a raposa come qualquer coisa. “De carne até legumes e frutas vermelhas. Ela gosta de tudo, conforme a estação do ano. Porém o principal alimento da raposa é o rato.”
 
Mas se a raposa encontra lixo aproveitável, a vida passa a ser mais confortável do que ter de caçar ratos ou aves. Isso significa que a alimentação é servida “na bandeja” ao animal. Raposas são oportunistas e se adaptam bem às condições na cidade.
 
Não alimentar!
 
“Existem pessoas que convivem com a raposa de uma forma bastante positiva. Elas gostam de poder observar um animal selvagem na cidade”. Já outros se surpreendem ou até se chocam. “Elas não estão habituadas a ver animais selvagens na cidade e também não o querem”, diz Dräyer.
 
Um animal selvagem necessita de um habitat onde ele possa se esconder, viver e se reproduzir, além da própria alimentação. “E onde existem alimentos, também há animais selvagens. O problema é que muitas pessoas gostam de dar comida à raposa. A prática é uma influência muito negativa ao comportamento do animal”, coloca o guarda florestal.
 
“Alguns acreditam que as raposas estão em uma situação tão ruim, que são obrigadas a fugir para as cidades. Então eles as alimentam. Mas isso é o pior que pode acontecer. Nós aconselhamos a não fazê-lo”, alerta. “Pois, assim os animais se tornam dependentes e não fogem mais dos seres humanos. Devido ao problema comportamental, esses animais dóceis acabam tendo de ser sacrificados.”
 
Natureza intacta
 
Seguramente é um enriquecimento observar animais selvagens nos espaços urbanos. “É como ter a natureza no jardim de casa. Não é preciso mais ligar a televisão”, diz Dräyer. A sua presença é garantia de qualidade de vida. “A natureza existe e, se ela não estivesse em ordem, os animais selvagens também não estariam presentes.”
 
O temido parasita da raposa
 
E qual o papel da raposa como transmissora de doenças, ou seja, como a cestoda (doença parasitária) ou a raiva? Atualmente a Suíça está livre da hidrofobia, porém existem pessoas que já adoeceram com o parasita da raposa. “Através de um projeto de pesquisa que avalia a presença da raposa em Zurique, analisa-se constantemente o grau de perigo para as pessoas que vivem em áreas urbanas”, afirma o guarda.
 
Os animais que carregam em si os parasitas, expelem ovas nas suas fezes. Se a pessoa se contamina com elas, ela pode adoecer. “Nesse caso é preciso ter bom senso. Depois do trabalho no jardim a pessoa tem de lavar as mãos. Assim o perigo pode ser reduzido”, diz Dräyer.
 
A pesquisa mostrou que raramente as raposas encontradas nos centros urbanos estão infectadas com as ovas de tênia. Já as raposas das áreas limítrofes e aquelas das zonas de transição para a zona rural têm uma percentagem maior de infecção. No campo a maioria está infectada.”
 
O que fazer?
 
Para o guarda florestal, o mais importante é a cooperação com a população. “Somos os especialistas e devemos informar as pessoas como elas devem conviver com as raposas. Também preciso saber qual a dimensão da população desse animal e onde estão os problemas. Então decido se é preciso matar o animal ou simplesmente capturá-lo.”
 
Quando Stefan Dräyer considera necessário sacrificar o animal, ele prepara as armadilhas. “Por vezes intervir é não apenas razoável, mas também necessário. Então colocamos as armadilhas para capturá-la vivo e depois o sacrificamos de forma profissional.”
 
E como é que o perito se comporta quando leigos estão presentes na hora do tiro fatal? “Antes de colocar a armadilha, os habitantes do bairro são envolvidos. Nós precisamos, em primeiro lugar, esclarecer se é absolutamente necessário sacrificar o animal. Então falamos com os habitantes e convencemo-los da necessidade dessa decisão. Se essa condição não existir, então não fazemos nada. Por isso é que no momento do sacrifício não há mais questões, pois as pessoas estão informadas e convencidas do sentido dessa ação.”


O guarda florestal Stefan Dräyer com a chacorra Ayla.
O guarda florestal Stefan Dräyer com a chacorra Ayla. (stadt-zuerich.ch)

Sem grandes danos

Danos, como os causados por outros animais selvagens como os javalis, não são ocasionados por raposas. É o que explica o guarda. “Nas cidades temos habitats intactos, o que explica a presença da raposa. Também temos muitas aves. Quando uma delas cai do ninho na primavera e não é capaz de sobreviver, é devorada pela raposa. Assim o cadáver não apodrece e não cheira mal, servindo de alimentação para a raposa”, acrescenta Dräyer.

 
“Como o animal se alimenta de aves mortas, que podem transmitir doenças, a raposa serve também no habitat urbanos como um controlador de pragas.”


Jean-Michel Berthoud, swissinfo.ch

Adaptaçao: Alexander Thoele

 
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Publicado por em março 22, 2011 em Uncategorized

 

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