RSS

>CAMPO GRANDE MS – PEGADA ECOLÓGICA

25 abr

>

Por Geralda Magela – Campo Grande é a primeira cidade brasileira a contar com o cálculo da pegada ecológica. Os resultados do estudo foram apresentados em uma oficina realizada pelo WWF-Brasil e pela prefeitura da capital sul-mato-grossense, no começo deste mês de abril. O estudo avaliou os hábitos de consumo da população de Campo Grande e apontou uma pegada ecológica de 3,14 hectares globais por pessoa.
A pegada ecológica de um país, cidade ou pessoa corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e mar necessárias para sustentar determinado estilo de vida. É uma forma de traduzir, em hectares, a extensão de território que uma pessoa ou uma sociedade “usa”, em média, para se alimentar, morar, se locomover, ter e afins. A metodologia vem sendo testada em algumas cidades do mundo, mas, no Brasil, pela primeira vez é desenvolvida para uma cidade.

O trabalho foi realizado pelo WWF-Brasil em parceria com a prefeitura da capital do Mato Grosso do Sul, Global Footprint Network (GFN), a empresa social Ecossistemas e a Universidade Privada Anhanguera. O objetivo foi ter uma ferramenta de gestão para ajudar no planejamento e na gestão pública, mobilizar a população para rever seus hábitos de consumo e escolher produtos mais sustentáveis, além de estimular empresas a melhorarem  suas cadeiras produtivas.
A pegada ecológica é uma  metodologia de contabilidade ambiental que avalia de um lado o consumo e do outro a capacidade de recursos naturais disponíveis no planeta. “É possível traduzir a pegada ecológica em quantos e quais recursos são usados pela população e em quanto isso excede a capacidade de recuperação natural dos ecossistemas”, disse Michael Becker, coordenador do Programa Pantanal-Cerrado do WWF-Brasil.
E os estudos realizados pela Global Footprint Network (GFN), rede mundial responsável pelos cálculos da pegada ecológica, mostram que a humanidade já excedeu bastante essa capacidade. Hoje a pegada ecológica média mundial é 2,7 hectares globais por pessoa, enquanto a biocapacidade disponível para cada ser humano é de apenas 1,8 hectares globais. “Isso coloca a humanidade em um grave déficit ecológico de 0,9 hectares globais per capita”, afirmou o  diretor da Escossistemas, Fabrício de Campos, responsável pelo cálculo.


A pegada de Campo Grande – No caso de Campo Grande, os 3,14 hectares podem ser traduzidos em 1,7 planetas. Isso significa que se todas as pessoas do mundo tivessem o mesmo consumo do morador de Campo Grande, seriam necessários quase dois planetas para sustentar esse estilo de vida. A questão é que existe um planeta. “Estamos no cheque especial. Estamos drenando o crédito planetário e  exaurindo nosso capital natural. Isso é muito sério”, destacou o diretor da Escossistemas, Fabrício de Campos, responsável pelo cálculo.

Se comparada à média brasileira, Campo Grande tem uma pegada 8% maior que a média nacional, que é de 2,9 hectares globais por pessoa. Ela também é 10% maior que a do Mato Grosso do Sul e 14% maior que a Pegada média mundial, que é de 2,7 hectares globais por pessoa. O Mato Grosso do Sul, por sua vez, tem uma Pegada Ecológica 3% menor que a média brasileira.
Pastagens, agricultura e florestas somam 75% da Pegada Ecológica de Campo. Em classes de consumo, o maior impacto foi na alimentação, com 45%, com destaque para o consumo de carne. O estudo apontou que o consumo de carne de campo grande é 13% maior que a média nacional.
Michael Becker fez questão de salientar que o objetivo da pegada não é apenas detectar os problemas mas principalmente as soluções. Além disso, o objetivo não é dizer às pessoas que elas não devem consumir. “Trata-se mais de partir para um consumo responsável”, explicou.
“Temos o orgulho de ser a primeira cidade brasileira a ter esse cálculo. Vamos aproveitar esses dados para nos aperfeiçoar e oferecer um desenvolvimento com sustentabilidade à população”, destacou o prefeito Nelson Trad Filho.
De acordo com ele, algumas ações que já vêm sendo desenvolvidas pela prefeitura podem contribuir para essa melhora. Entre elas, a inclusão de orgânicos na merenda escolar e o plantio de mudas de árvores. “Acreditamos que o estudo vai ser um balizador para que numa próxima medição, possamos ter indicadores melhores, mostrando que avançamos”, disse Trad.
O Secretário Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Marcos Cristaldo, também falou da importância desse trabalho para a cidade de Campo Grande. “A pegada ecológica é um indicador importante para o planejamento urbano e norteador da política municipal de meio ambiente para que a cidade cresça sem perda de qualidade de vida da população”, disse.


Exemplo para outras cidades – A escolha da capital sul-mato-grossense para ser a primeira cidade brasileira a desenvolver essa metodologia se deve a alguns fatores, como Campo Grande ser a capital do estado que abriga a maior parte do Pantanal, região com enorme riqueza ambiental e ao mesmo tempo ameaçada pela degradação provocada por alguns modos insustentáveis de consumo.

Embora esteja na borda do Pantanal e não dentro dele, os impactos causados pelo consumo, de moradores da cidade e de outras partes do Brasil e do mundo, têm reflexos sobre a planície pantaneira.
Outro elemento importante é o perfil da cidade, similar ao de muitas cidades brasileiras, onde ainda é possível direcionar o planejamento urbano. “Campo Grande ainda não administra o caos como em outras cidades do Brasil e do mundo. Por isso temos uma oportunidade para que seu desenvolvimento se dê em bases mais sustentáveis”, ressaltou a técnica de conservação do WWF-Brasil, Terezinha Martins.
De acordo com Michael Becker, o exemplo de Campo Grande deve ser seguido. “As cidades brasileiras precisam medir e conhecer suas pegadas, olhar para seu ‘marcador de combustível’ e tornar concretas alternativas para se ter um consumo melhor, associado à garantia da qualidade de vida das populações”, destacou.
Base de dados da pesquisa – Para determinar os padrões de consumo do cidadão médio em Campo Grande foi usada a Pesquisa de Orçamento Familiar, utilizada pela Universidade Anhanguera (Uniderp) e Fundação Manoel de Barros (FMB) para a determinação do Índice de Preços ao Consumidor. No entanto, foi necessário atualizar a pesquisa, que era de 2004, para os padrões de 2008, bem como assumir como padrão médio de despesas para Campo Grande o mesmo valor determinado para Mato Grosso do Sul pela Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE.
Próximos passos – O cálculo da Pegada Ecológica é a primeira etapa do trabalho. Com o diagnóstico pronto, os parceiros estão agora iniciando um plano de ações que serão implementadas a curto, médio e longo prazos, para reduzir a pegada ecológica.
Esse plano inicial foi elaborado durante a oficina de dois dias, que teve a participação de diferentes segmentos da cidade – governo,  ONGs, universidades, movimentos sociais, centros de pesquisa e outros que venham a participar depois. “Essa é uma ação que deve ter o envolvimento de todo mundo. Só assim poderemos encontrar soluções para construir uma Campo Grande melhor, com menos impactos” destacou Terezinha.
Na oficina foram estabelecidos alguns programas, projetos e orientações a políticas públicas para a redução dos impactos ambientais e consumo conscientes da cidade.
Entre elas, ações de reflorestamento de áreas degradadas utilizando sistemas agroflorestais, recuperação de nascentes, recomposição de matas ciliares e corredores ecológicos.
Ações de melhoria da qualidade da água para uso humano também foram propostas, incluindo limpeza dos canais, reflorestamento de matas ciliares, como forma de melhorar a gestão ambiental e atuar na prevenção a enchentes e epidemias.
Em relação a ações de gestão de resíduos sólidos, foram apontadas ações que vão desde a separação do lixo nos domicílios, entrega para cooperativas de catadores para reutilização e reciclagem e gestão do destino final.
Outro ponto que irá integrar o plano de ação é potencializar os projetos já existentes de agricultura periurbana, com destaque para o fomento à produção de alimentos orgânicos e agroecológicos e de economia solidária e de valorização dos produtos  e serviços da agricultura familiar.
Esse aspecto é importante porque uma das constatações do estudo foi que boa parte dos legumes consumidos em Campo Grande vem de fora. Com isso, será possível aumentar a demanda da população por produtos locais, reduzir o consumo de produtos vindos de outros locais e fortalecer a circulação de recursos financeiros para a cidade.
Foi proposta também a realização de uma oficina de comunicação para elaborar estratégias de comunicação visando a disseminação das políticas públicas definidas no planejamento.
Sobre a Pegada Ecológica – A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressada em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta.
Um hectare global significa um hectare de produtividade média mundial para terras e águas produtivas em um ano. Já a bioacapacidade, representa a capacidade dos ecossistemas em produzir recursos úteis e absorver os resíduos gerados pelo ser humano.
Sendo assim, a Pegada Ecológica contabiliza os recursos naturais biológicos renováveis (grãos e vegetais, carne, peixes, madeira e fibras, energia renovável etc), segmentados Agricultura, Pastagens, Florestas, Pesca, Área Construída e Energia e Absorção de Dióxido de Carbono (CO2). (colaborou Aldem Bourscheit)
 
Deixe um comentário

Publicado por em abril 25, 2011 em Uncategorized

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: